2026 07 04t231918z 510926271 up1em741sg65y rtrmadp 3 soccer worldcup pry fra

Reação ao racismo contra jogadores negros na Copa vai além do futebol

Brasil e Mundo Esporte

A Copa do Mundo de 2026 entra em sua fase decisiva com um clima de tensão que ultrapassa as quatro linhas. Enquanto França e Espanha se preparam para a semifinal desta terça-feira (14), nos Estados Unidos, o foco do debate público recai sobre o combate ao racismo, que tem marcado o torneio com episódios lamentáveis de discriminação contra jogadores negros da seleção francesa, os “Les Bleus”.

O ataque de uma autoridade espanhola

A polêmica mais recente envolveu o ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. Em um artigo publicado no último domingo, Rajoy afirmou que a França possui um “plantel de altíssimo nível”, mas ironizou a presença de jogadores de origem africana, insinuando que a equipe não seria genuinamente francesa. A declaração foi prontamente repudiada por figuras políticas e esportivas, incluindo o atual primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que classificou a fala como uma vergonha e clamou: “que vença o melhor e que perca o racismo”.

Extrema-direita e o cenário global

Para Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o fenômeno não é isolado. Segundo o especialista, a ascensão da extrema-direita em diversos países tem dado uma falsa sensação de segurança para que indivíduos expressem preconceitos abertamente, muitas vezes escudados pelo anonimato das redes sociais.

Dados da própria FIFA corroboram a gravidade da situação: o monitoramento identificou um aumento de 13 vezes no número de publicações abusivas nas redes sociais em comparação com a edição de 2022, com uma parcela significativa de teor racial.

Mudança de postura e novas ferramentas

Apesar dos ataques, o cenário de impunidade tem mudado. O endurecimento das regras, exemplificado pelo “Protocolo Vini Jr.”, tem permitido uma fiscalização mais rigorosa, punindo inclusive gestos que tentam ocultar ofensas verbais em campo. Além disso, o apoio institucional de federações e governos a atletas como Kylian Mbappé marca uma nova era.

O caso da senadora paraguaia Celeste Amarilla, que proferiu insultos racistas contra Mbappé após uma partida, gerou uma resposta inédita: a Federação Francesa de Futebol acionou o Ministério Público, resultando na abertura de um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio. Para especialistas, a postura combativa de jogadores e entidades envia uma mensagem clara: o racismo não será mais ignorado ou tratado como parte do espetáculo esportivo.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *