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Colonialismo Químico: Brasil segue como maior destino de agrotóxicos proibidos na Europa

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O peso do veneno em nossas terras

O Brasil enfrenta um dilema grave no setor agropecuário: sete dos dez agrotóxicos mais comercializados no país são proibidos na União Europeia devido aos riscos severos que oferecem à saúde humana, animal e ao meio ambiente. O fenômeno, descrito pela pesquisadora e geógrafa Larissa Mies Bombardi, é classificado como ‘colonialismo químico’, onde empresas europeias exportam para o mercado brasileiro substâncias que, em seus países de origem, seriam vetadas por potencial cancerígeno ou por causarem distúrbios hormonais e malformações fetais.

Um mercado dominado por poucos

A dependência do Brasil é agravada pela concentração econômica do setor. Apenas quatro empresas globais — as alemãs Basf e Bayer, a americana Corteva e a chinesa Sinochem — detêm o controle de 62% do mercado de defensivos agrícolas. Para especialistas, esse cenário reflete uma estrutura de subordinação histórica onde a lógica do lucro ignora os impactos profundos na biodiversidade, como a drástica redução de populações de insetos polinizadores, vitais para o ecossistema.

Questão fundiária e resistência

Além dos perigos químicos, o debate esbarra na questão da concentração de terras. Segundo a pesquisadora, o uso intensivo de venenos está intrinsecamente ligado à estrutura fundiária brasileira, onde poucos donos de terra ditam as regras, independentemente de políticas governamentais. O Brasil hoje lidera o ranking de destino dessas exportações de pesticidas proibidos, superando a soma de Ucrânia, Estados Unidos e Rússia.

Regulação e futuro

Embora a Lei 14.785 de 2023 estabeleça critérios para o uso desses insumos, o processo de reavaliação pela Anvisa é lento e complexo. O país tem o desafio de repensar seu modelo agrícola, promovendo a transição para a agricultura familiar e aumentando a conscientização pública para romper com o que pesquisadores chamam de um novo ciclo de colonialidade, que submete a saúde do solo e da população brasileira aos interesses de grandes potências químicas estrangeiras.


Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

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