mg 7105

Ondas de calor: o perigo silencioso que já causou 50 mil mortes no Brasil

Brasil e Mundo

O alerta dos especialistas

As ondas de calor extremo no Brasil deixaram de ser apenas um desconforto climático para se tornarem um grave problema de saúde pública. Segundo a professora Renata Libonati, da UFRJ, o país tem negligenciado um desastre que, entre 2000 e 2020, foi responsável por mais de 50 mil mortes em 14 regiões metropolitanas — um índice 20 vezes superior ao de óbitos por deslizamentos de terra no mesmo período.

O efeito devastador do El Niño

O cenário deve se agravar com a influência do fenômeno El Niño, que altera a circulação de ventos e eleva as temperaturas em escala global. Pesquisadores alertam que o fenômeno intensifica o ciclo de seca, calor e incêndios florestais, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em anos de El Niño, o risco de fogo aumenta em até 18% nessas áreas.

Impactos desiguais pelo país

José Marengo, do Cemaden, destaca que o Brasil sentirá o impacto do El Niño de formas diferentes. Enquanto o Sul enfrenta riscos elevados de enchentes, o Nordeste deve se preparar para a redução das chuvas e secas mais severas. A mensagem é clara: o fenômeno não cria novos problemas, mas agrava drasticamente as vulnerabilidades que já enfrentamos.

A urgência da adaptação

Para o especialista Paulo Artaxo, o Brasil precisa acelerar urgentemente suas estratégias de adaptação climática. Com o país registrando um aquecimento médio próximo de 2°C, o planejamento urbano precisa focar nas populações mais vulneráveis. Moradias precárias e a falta de infraestrutura urbana adequada deixam os brasileiros mais pobres na linha de frente do sofrimento climático. O Brasil tem recursos para liderar essa mudança e proteger seus cidadãos, mas a falta de estratégia continua custando vidas.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *