Um marco para a cultura Kariri
No coração da zona rural de Brejo Santo, especificamente no Sítio Queimadas, o povo Isú-Kariri celebra uma conquista histórica. Após anos de resistência e preservação de suas raízes, a comunidade inaugurou oficialmente a primeira escola indígena em tempo integral da região do Cariri. Com cerca de 90 alunos, a instituição é muito mais do que um centro de ensino tradicional; é um refúgio da identidade e da memória do povo cearense.
Saberes ancestrais na sala de aula
Diferente do currículo convencional, a rotina escolar dos Isú-Kariri é marcada pela integração constante com a comunidade. Mestres da cultura local frequentam a unidade para ensinar sobre plantas medicinais, o artesanato de palha e a história de seus antepassados. O dia letivo, por exemplo, inicia com o canto tradicional, reforçando que o aprendizado ultrapassa as paredes físicas da escola e se estende ao cotidiano das famílias.
Revitalização da língua Dzubukuá-kipeá
Um dos pilares pedagógicos mais ambiciosos é a tentativa de revitalizar a língua nativa Dzubukuá-kipeá. Sob a coordenação da diretora Cícera Pereira, o idioma é trabalhado de forma integrada ao português, devolvendo aos jovens a oportunidade de se expressarem na língua de seus ancestrais. O projeto conta com apoio estratégico da Universidade Federal do Cariri (UFCA), que auxiliou na criação do material didático e na formação dos docentes.
Sustentabilidade ancestral e futuro
A iniciativa também dialoga com programas estaduais, como o projeto ‘Herança Nativa’, do Sesc Ceará, que promove a visibilidade da cultura indígena e quilombola. Para as lideranças, como o cacique Raimundo Berto Mariano, a escola e o Memorial Isú-Kariri funcionam como um escudo contra o esquecimento, garantindo que as novas gerações tenham orgulho de sua herança, mesmo em um mundo cada vez mais tecnológico. É a chamada ‘sustentabilidade ancestral’ em pleno funcionamento no Sul do Ceará.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução

