Polícia Federal investiga a destinação de recursos de emendas parlamentares a entidades relacionadas à produtora responsável pelo filme.
A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União, deflagrou em 10 de setembro de 2026 a Operação Make Up. A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Segundo a PF, a investigação apura suspeitas envolvendo recursos públicos transferidos por termos de fomento a organizações da sociedade civil. (Polícia Federal)
O que está sendo investigado
Entre os citados na apuração estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil e sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. Frias participa do projeto cinematográfico como produtor executivo.
Os investigadores examinam se valores destinados formalmente a projetos de tecnologia e esporte foram direcionados a empresas subcontratadas sem comprovação suficiente dos serviços. Também é apurada uma possível ligação financeira entre fornecedores contratados pelo instituto e a produtora do filme. Essa hipótese ainda depende da análise de documentos, movimentações bancárias e materiais apreendidos.
O que mostram os registros oficiais
O Portal da Transparência registra dois empenhos de R$ 1 milhão cada em favor do Instituto Conhecer Brasil. Empenho é a reserva do recurso no orçamento público; pagamento é a transferência efetiva do dinheiro.
O primeiro foi emitido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e está vinculado ao instrumento nº 971232, destinado a um projeto de letramento digital e empreendedorismo. O registro informa que R$ 1 milhão foi liberado e que o instrumento aguarda prestação de contas. (PORTAL DA TRANSPARENCIA)
O segundo empenho foi emitido pelo Ministério do Esporte. O instrumento nº 964068 financia o projeto “Lutando Pela Vida”, em São Paulo, aparece como em execução e registra R$ 1 milhão liberado ao Instituto Conhecer Brasil. (PORTAL DA TRANSPARENCIA)
Os registros comprovam a destinação formal dos recursos aos dois projetos, mas não demonstram, isoladamente, que o dinheiro tenha sido utilizado em “Dark Horse”.
Indícios e medidas autorizadas
A decisão judicial menciona movimentações consideradas relevantes pela investigação, inclusive transferências entre empresas relacionadas a fornecedores e a Go Up Entertainment. Em um dos episódios examinados, empresas ligadas a um mesmo grupo receberam aproximadamente R$ 700 mil do instituto, enquanto outra empresa desse grupo transferiu R$ 750 mil à produtora. A própria investigação ressalva que ainda não há elementos suficientes para afirmar que se trata do mesmo dinheiro público. (ITATIAIA)
O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizou as buscas e medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e de saída do país. Também foram divulgadas restrições às atividades e contratações públicas das entidades alcançadas pela decisão. Não foram anunciados mandados de prisão. Essas providências buscam preservar provas e não representam julgamento definitivo. (R7.com)
Posição dos citados
A defesa de Mario Frias já havia negado triangulação de emendas para financiar o filme, sustentando que os recursos tiveram finalidade social e seriam rastreáveis. (GAZETADOPOVO)
Uma perícia privada encomendada pela Go Up apontou financiamento particular para “Dark Horse”. Por ter sido contratada pela própria produtora, essa análise integra a versão apresentada pelos responsáveis e não encerra a apuração oficial. (CNNBRASIL)
Até a atualização desta matéria, em 10 de setembro de 2026, não foram localizadas manifestações posteriores à operação atribuídas diretamente a Karina Ferreira da Gama, ao Instituto Conhecer Brasil ou à Go Up Entertainment. A ausência de manifestação não implica reconhecimento das suspeitas.
O caso continua em investigação. Eventuais responsabilidades dependerão da análise das provas, da manifestação da Procuradoria-Geral da República e das decisões judiciais cabíveis, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
LEITURA RECOMENDADA
Este conteúdo é um resumo autoral e contextualizado produzido pelo Portal Itarema Direto.
A reportagem original, publicada pela Gazeta do Povo, apresenta mais detalhes sobre a decisão do ministro Flávio Dino, os elementos reunidos pelos investigadores e as suspeitas relacionadas à destinação dos recursos.
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Reportagem indicada: Gazeta do Povo.
Fontes primárias: Polícia Federal e Portal da Transparência.
Resumo e contextualização: Portal Itarema Direto.
Foto da Capa: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

