A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up nesta quinta-feira (10) para investigar um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP). A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo o Ceará.
Emendas sob suspeita
O foco principal da investigação é um repasse de R$ 1 milhão destinado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), a verba, voltada para o projeto ‘Jovem Empreendedor’, não teve a execução comprovada. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação rejeitou a prestação de contas, apontando que as metas de capacitação de jovens não foram atingidas. Outro projeto esportivo, também financiado por Frias, apresentou falhas graves na comprovação de gastos e entrega de materiais.
Conexão com filme de Bolsonaro
A apuração da PF mapeou uma teia de transferências financeiras envolvendo empresas ligadas ao instituto e a produtora do filme ‘Dark Horse’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A polícia investiga se recursos públicos teriam sido desviados para custear a produção audiovisual. Além disso, a quebra de sigilo revelou que o próprio Mario Frias transferiu R$ 645 mil de sua conta pessoal para a produtora do filme, valor que levantou questionamentos sobre a compatibilidade com seus rendimentos declarados.
Defesa do parlamentar
Em suas redes sociais, Mario Frias classificou a operação como uma ‘cortina de fumaça’ e afirmou que as emendas são transparentes e executadas diretamente pelo Tesouro. O parlamentar reclamou de não ter tido acesso prévio à investigação. Como medida cautelar, o ministro Flávio Dino proibiu o deputado de sair do país e determinou que ele mantenha distância dos demais investigados no inquérito.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

