img 3764

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Brasil e Mundo Saúde

Crise global na vacinação infantil

Um levantamento preocupante divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que 15% dos bebês em todo o mundo ainda não recebem a imunização básica necessária durante o primeiro ano de vida. Os dados, compilados a partir de registros governamentais de 195 países, mostram que, em 2025, 13,5 milhões de crianças não tomaram nenhuma dose de vacina, enquanto outras 7,3 milhões deixaram de completar o ciclo essencial contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

O perigo do sarampo

O Unicef alerta que o abandono do calendário de vacinação é especialmente crítico no caso do sarampo. A recomendação internacional é que a cobertura atinja 95% para garantir a proteção coletiva, mas o cenário atual está longe disso: apenas 84% das crianças recebem a primeira dose e somente 77% completam a segunda. Como reflexo direto dessa queda, o mundo registrou mais de 411 mil casos de sarampo no último ano, com surtos espalhados por 57 países.

Conflitos e vulnerabilidade social

Apesar de uma leve recuperação em relação aos anos anteriores, o ritmo de imunização global permanece estagnado em muitas regiões. O relatório aponta que mais da metade das crianças que não receberam nenhuma dose vive em áreas afetadas por conflitos, pobreza extrema ou instabilidade política. “Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a deslocamentos forçados e crises humanitárias”, afirmou Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

O cenário no Brasil

Enquanto muitos países enfrentam retrocessos, o Brasil apresenta uma trajetória positiva. O país tem reduzido constantemente o número de crianças “zero-dose”, que hoje somam cerca de 50 mil. No entanto, o desafio persiste no ciclo completo da tríplice bacteriana (DTP), que ainda mantém uma cobertura em torno de 86%. Especialistas também pontuam que o Brasil carece de levantamentos independentes e atualizados sobre a imunização nos últimos cinco anos, medida essencial recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir a precisão dos dados nacionais.

Desafios para o futuro

O sucesso das campanhas de vacinação está sob pressão devido a restrições orçamentárias e enfraquecimento dos sistemas de monitoramento global. O número de pesquisas nacionais sobre o tema caiu drasticamente: apenas 18 estudos foram realizados neste ciclo, contra uma média de 33 por ano no período pré-pandemia. O desafio agora é sustentar o impulso de recuperação frente às crescentes incertezas geopolíticas e à hesitação vacinal que, cada vez mais, também atinge países de renda média e alta.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *