O cenário do futebol cearense foi abalado por graves denúncias envolvendo o alto escalão da Federação Cearense de Futebol (FCF). Quatro árbitras formalizaram acusações de assédio sexual e tentativa de estupro contra Paulo Silvio dos Santos, diretor-presidente da Comissão de Arbitragem da entidade. O caso já está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza.
Denúncias de abuso e perseguição profissional
De acordo com os relatos, os abusos teriam se iniciado em 2018, atingindo tanto estudantes quanto profissionais já atuantes no quadro da FCF. As vítimas afirmam que Paulo Silvio utilizava seu poder para definir escalas de jogos como forma de pressão. Uma das árbitras relatou que, após recusar convites inoportunos para ir à casa do diretor, sua carreira sofreu um processo de “escanteio”, resultando em sua desistência da profissão em 2025.
Outra denunciante descreveu um episódio grave ocorrido após uma confraternização, onde o diretor teria tentado forçar uma relação sexual em um motel, persistindo na importunação mesmo diante de negativas e tentativas da vítima de deixar o quarto. Ao todo, quatro mulheres narram comportamentos semelhantes de abuso de poder e assédio.
Ações da FCF e afastamento
Diante da repercussão, a FCF anunciou que Paulo Silvio foi afastado do cargo por uma licença inicial de 30 dias. No entanto, o diretor jurídico da entidade, Eugênio Vasques, assegurou que o investigado não retornará às suas funções enquanto as apurações estiverem em curso. Uma sindicância interna, presidida por uma comissão de três membros, foi instaurada para avaliar o caso administrativamente.
Entre as medidas determinadas pela Federação estão a preservação de documentos, a proibição de contato do investigado com as vítimas e testemunhas, e a garantia de que não haverá retaliações profissionais. Caso o relatório final confirme as irregularidades, a demissão de Paulo Silvio pode ser recomendada, além de um possível encaminhamento à Comissão de Ética da CBF para sanções desportivas.
Defesa nega acusações
Em nota oficial, a defesa de Paulo Silvio dos Santos negou veementemente todas as acusações, classificando os relatos como “versões unilaterais”. Os advogados afirmam que o investigado jamais praticou qualquer ato ilícito e que confia na imparcialidade da Polícia Civil para o esclarecimento dos fatos. O comunicado ressalta, ainda, o respeito à presunção de inocência e solicita que o caso seja tratado com cautela para não comprometer a honra e a imagem do diretor durante o processo.
Críticas à postura da Federação
A condução do caso pela FCF tem sido alvo de críticas. Bruno Vasconcelos, advogado que representa as denunciantes, apontou que a instituição só se moveu após o registro do boletim de ocorrência e a pressão externa. Para a defesa das mulheres, a criação da comissão interna não parece ter sido uma medida espontânea de proteção, mas uma reação à repercussão do caso. “A busca por justiça exige que as instituições esportivas adotem uma postura efetiva de proteção às mulheres e o repúdio total ao abuso de poder”, pontuou o advogado.
Informações baseadas no portal G1 Ceará.

