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Obras de usina de dessalinização na Praia do Futuro são autorizadas após polêmicas e atrasos

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Após anos de espera e intensos debates, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) oficializou, nesta quinta-feira (16), o termo de autorização para o início das obras da usina de dessalinização de Fortaleza. O projeto, que promete ser um divisor de águas no abastecimento da capital, deve ter suas atividades práticas iniciadas em aproximadamente 60 dias, com a entrega final prevista para o segundo semestre de 2028.

Capacidade e tecnologia para o abastecimento

A futura planta, situada entre a Rua Ismael Pordeus e a Rua Miguel Calmom, na Praia do Futuro, ocupará uma área de 88,3 mil m². Utilizando tecnologia de osmose reversa, a unidade terá capacidade para dessalinizar mil litros de água por segundo, suprindo 12% da demanda hídrica de Fortaleza. Além da planta principal, o projeto abrange a instalação de estruturas de captação oceânica e novas adutoras que levarão a água tratada para as estações do Mucuripe e da Aldeota.

Investimentos e o desafio da localização

O projeto é conduzido através de uma Parceria Público-Privada (PPP) com o consórcio “Águas de Fortaleza”, formado pelas empresas Marquise, PB Construções e Abegoa. Embora o investimento total ultrapasse R$ 3 bilhões, apenas a construção da usina está orçada em cerca de R$ 526 milhões — valor que deve sofrer reajustes devido à defasagem dos preços calculados em 2020.

A localização foi o maior entrave da iniciativa. Empresas de telecomunicações temiam que a estrutura pudesse danificar cabos de fibra ótica submarinos, fundamentais para a conexão de internet em grande parte da América Latina. Para evitar riscos, o governo estadual alterou o projeto, deslocando a área de captação e o emissário de rejeitos para mais de mil metros de distância do ponto original, o que exigiu novos estudos ambientais e uma nova licença.

Cronograma marcado por atrasos

Anunciada originalmente em 2017, com previsão de entrega para 2025, a usina sofreu sucessivos contratempos burocráticos e ambientais. O processo exigiu a desapropriação de 29 famílias, devidamente indenizadas, e a construção de uma nova Areninha como medida compensatória para a comunidade local.

Atualmente, as etapas iniciais focam na aquisição de materiais, como tubulações específicas. Com 24 meses de prazo estimado para a execução das obras, a expectativa é que, ao entrar em operação, a unidade cearense se torne a maior usina de dessalinização de grande porte voltada ao abastecimento público no Brasil, consolidando um marco histórico para a segurança hídrica do estado.


Informações baseadas no portal G1 Ceará.

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