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‘Golpe do doce’: ‘Eu paguei por vergonha’, diz cliente após comprar produto por R$ 330

Ceará Polícia

‘Paguei por vergonha’: Clientes denunciam suposto golpe em barraca de doces no Crato

Uma simples compra de doces durante a Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) se transformou em pesadelo para diversos consumidores. O caso, que viralizou nas redes sociais, envolve uma barraca de doces de origem mineira, onde clientes relatam terem sido coagidos a pagar valores exorbitantes — chegando a R$ 330 — após o corte e pesagem dos produtos.

Priscila Justino, que viajou 125 km até o Crato, foi uma das vítimas. Ela conta que pediu apenas 100 gramas de um doce, mas, após o vendedor cortar uma fatia muito maior do que o solicitado, viu-se presa a uma situação de extremo constrangimento. “Eu pedi para ele cortar ‘dois dedos’. Ele aprofundou a espátula e cortou muito mais. Quando questionei, o funcionário foi agressivo, gritando na frente de todos na fila que eu era obrigada a levar. Paguei por pura vergonha e pressão psicológica”, desabafa.

Fiscalização do Decon flagra irregularidades

Após a enxurrada de denúncias, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), do Ministério Público do Ceará (MPCE), realizou uma fiscalização no estande da Doceria Deleites. O órgão confirmou a prática abusiva: o estabelecimento não exibia os preços de forma clara e não informava o peso real dos pedaços cortados, induzindo o consumidor ao erro.

O promotor de Justiça Thiago Marques esclareceu que a prática é ilegal. “O cliente não tem obrigação de finalizar uma compra quando percebe inconsistências ou falta de transparência. Informações sobre preço e peso devem ser expressas de maneira visível antes da concretização do pedido”, destacou. O estabelecimento foi notificado para realizar adequações imediatas, sob pena de interdição.

Relatos de pressão e constrangimento

O “golpe do doce”, como foi apelidado pelos internautas, segue sempre o mesmo roteiro: o vendedor oferece o produto pelo valor de R$ 19,90 a cada 100 gramas, mas, na hora de cortar, retira uma porção muito superior. Quando o cliente tenta desistir ou devolver parte do produto, é confrontado por funcionários que alegam que o doce, uma vez cortado, não pode retornar à peça original.

O empresário Breno de Freitas, que também enfrentou a situação, relata que o “tempo fechou” quando ele se recusou a pagar R$ 117 por dois pedaços de doce. “Eles usam o constrangimento para fazer o cliente ceder. É revoltante pensar em idosos ou pessoas mais humildes que podem ter caído nessa armadilha”, afirma.

O que diz a empresa e o que diz a lei

Em nota pública, um representante da doceria, identificado como Fausto, negou qualquer esquema de golpe. Segundo ele, a impossibilidade de devolver o doce após o corte é uma medida de higiene e que o cliente tem liberdade de escolha. A empresa, contudo, não comentou as acusações de comportamento agressivo por parte de seus vendedores.

O advogado especialista em Direito do Consumidor, Miguel Augusto Leitão, reforça que os clientes lesados possuem respaldo legal. “O consumidor tem direito a informações claras. Essa abordagem ostensiva, que causa humilhação, pode gerar não apenas a devolução do dinheiro, mas também ações por danos morais. A lei protege o consumidor contra essas práticas de indução ao erro”, pontua o especialista.


Edição: Portal Itarema Direto.

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