Uma simples ida a uma feira ou evento pode se transformar em um pesadelo para o bolso do consumidor. Recentemente, a Expocrato, um dos eventos mais tradicionais do Ceará, foi palco de uma polêmica que viralizou: o chamado “golpe do doce”. Clientes, atraídos por uma degustação, foram surpreendidos na hora da pesagem por valores astronômicos, chegando a pagar mais de R$ 300 por uma pequena porção de doces.
O que é considerado abuso?
A situação revoltou os frequentadores do evento. Muitos relataram que, após a pesagem, foram pressionados a pagar valores que não condiziam com a expectativa criada inicialmente. A advogada especialista em defesa do consumidor, Daniela Poli Vlavianos, explica que a venda por peso é legal, mas o Código de Defesa do Consumidor (CDC) exige transparência absoluta. Se o cliente não tem informações claras e suficientes para prever o custo antes de finalizar a compra, a cobrança torna-se questionável. Quando o preço só é revelado na balança ou no caixa, o consumidor tem o direito de contestar e, inclusive, desistir da compra.
Como evitar cair em armadilhas
Para não ser pego de surpresa, a recomendação é redobrar a atenção. Especialistas sugerem que estabelecimentos transparentes utilizem amostras com pesos de referência (como um pote de 100g com o preço fixado ao lado), permitindo que o cliente tenha uma noção real do custo. Se você sentir que houve falta de clareza, não se intimide: solicite o cancelamento, tire fotos dos produtos e dos preços exibidos e guarde o comprovante. Caso a pressão para o pagamento seja excessiva, não hesite em acionar os órgãos de defesa do consumidor, como o Decon.
As consequências para as empresas
Empresas que falham no dever de informar podem enfrentar sanções administrativas severas, incluindo multas pesadas. Além de fiscalizações, o estabelecimento pode ser obrigado a regularizar imediatamente suas práticas. Se o consumidor se sentir lesado ou constrangido, ele pode buscar reparação judicial por danos materiais ou morais. A transparência não é um favor, é uma obrigação legal.
O desfecho do caso na Expocrato
Após a repercussão negativa e os relatos de consumidores que pagaram valores como R$ 117 ou R$ 177 por poucos pedaços de doce, o Ministério Público do Ceará (MPCE) e o Decon intervieram. A fiscalização confirmou a falta de clareza nas informações de preços e a ausência de referências de peso que permitissem ao cliente estimar o custo final. A empresa “Doceria Deleites”, alvo das denúncias, foi notificada para ajustar seus procedimentos. Embora a marca negue qualquer irregularidade e alegue que seus preços estavam visíveis, o caso permanece sob monitoramento das autoridades, servindo de alerta para que consumidores cearenses fiquem atentos em qualquer balcão de vendas.
Edição: Portal Itarema Direto.

