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Casa onde viveu cordelista Patativa do Assaré é restaurada e reaberta ao público

Ceará Cultura

A simplicidade que moldou um dos maiores nomes da cultura cearense agora pode ser vivenciada de perto. A casa de taipa onde viveu o lendário poeta e cordelista Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, reabriu as portas para visitação neste mês de julho. Localizado na Serra de Santana, a apenas 18 km do centro de Assaré, no coração do Cariri, o imóvel é um verdadeiro pedaço da nossa história.

Resgate da identidade sertaneja

O imóvel foi adquirido pela Universidade Patativa do Assaré e passou por um minucioso processo de restauração que durou cinco meses. O objetivo principal foi manter a integridade da construção, que reflete o modo de vida do interior nordestino do início do século 20, com paredes feitas de barro e madeira erguidas pelas mãos dos próprios moradores.

De acordo com o diretor cultural da instituição, Francisco Palácio Leite, cada detalhe foi pensado para preservar a memória do poeta. “Nós tivemos a preocupação de manter a estrutura original. O telhado, o reboco, a cor característica e até as calçadas de tijolos preservam a essência de como o local era na época em que ele vivia aqui”, garante.

O berço da inspiração

Foi entre essas paredes que Patativa teve seu primeiro encontro com a literatura de cordel, ainda aos oito anos de idade. O local foi seu lar até o casamento e guarda segredos do seu processo criativo; a sala de estar, por exemplo, servia como palco para saraus onde o poeta dividia o espaço com repentistas.

Inês Cidrão Alencar, filha de Patativa, relembra com emoção a rotina humilde de trabalho na roça e o dom do pai. “Ele trabalhava no roçado, mas não parava de criar. À noite, após a janta, reunia a família para declamar os poemas que compunha durante o dia de labuta. Ele tinha o dom para tudo”, recorda, aos 87 anos.

Legado para as futuras gerações

Para o neto do artista, o também poeta Daniel Gonçalves da Silva, manter o espaço vivo é uma forma de honrar a luta do avô. “Ele nunca negou as origens. Suas poesias davam voz ao homem do campo, aos sem-terra e aos esquecidos do nosso Nordeste. Queremos que esses ensinamentos continuem sendo passados adiante”, destaca.

Serviço e futuro memorial

A casa já está aberta ao público de segunda a sábado, das 8h às 17h. O projeto não para por aí: o espaço se prepara para receber, em outubro, o Museu do Homem Sertanejo, que funcionará como um memorial definitivo para eternizar a trajetória e a obra de Patativa do Assaré no Ceará.


Edição: Portal Itarema Direto.

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