A Doceria Deleites, pivô de uma polêmica recente na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), anunciou que não voltará a abrir seu estande no evento. A decisão, segundo os proprietários, foi motivada por uma onda de ameaças recebidas nas redes sociais após clientes denunciarem valores abusivos e situações de constrangimento na hora do pagamento.
Esclarecimentos sobre a fiscalização
Diferente do que circulou na internet, a empresa afirma que o local não foi embargado pelo Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon). O órgão confirmou que realizou uma fiscalização e constatou práticas abusivas — como a ausência de indicação clara de peso e preço por porção — mas esclareceu que solicitou apenas readequações, sem determinar o fechamento. Em nota, a doceria reforçou que, após as adequações, o órgão permitiu a continuidade das atividades, mas a equipe optou pelo encerramento das operações no evento por segurança.
Relatos de clientes: o peso do constrangimento
O caso ganhou repercussão após relatos de diversos clientes. Uma das denunciantes, a pernambucana Priscila Justino, relatou que foi coagida a levar os produtos após o corte. Segundo ela, ao pedir uma fatia de aproximadamente “dois dedos”, o vendedor cortou um pedaço muito maior e, diante da recusa, passou a agir de forma agressiva. “Eu paguei por vergonha. Havia muita gente na fila e o vendedor começou a gritar, dizendo que eu era obrigada a levar por ser self-service”, desabafou a cliente, que desembolsou um valor muito acima do esperado.
Outros consumidores relataram experiências similares, destacando que a falta de precisão na pesagem antes do corte, aliada à proibição de devolver o produto após o manuseio, cria uma “armadilha” onde o cliente se sente forçado a pagar para evitar um conflito público.
O que diz a empresa
A Doceria Deleites, que veio de Minas Gerais para o evento no Cariri, nega categoricamente qualquer tipo de golpe. A defesa da marca sustenta que o preço de R$ 19,90 a cada 100 gramas está afixado de forma visível. Quanto à proibição de devolver o doce após o corte, a empresa alega que a regra é uma exigência da vigilância sanitária para garantir a integridade dos alimentos, e não uma manobra comercial para lesar o consumidor.
Em vídeo divulgado antes do encerramento das atividades, um representante da marca, identificado como Fausto, lamentou a repercussão e afirmou que a empresa atua em eventos por todo o Brasil com o mesmo modelo de negócio, tratando o episódio como um grande mal-entendido. “Não tem golpe”, afirmou o representante, insistindo que a autonomia de escolha da fatia pertence ao comprador.
Edição: Portal Itarema Direto.

