A empresária cearense Giselle Matias, de 25 anos, retornou a Itapipoca, no interior do Ceará, após viver um verdadeiro pesadelo na ilha de Martinica, território francês no Caribe. A jovem, que viajou com o sonho de trabalhar como au pair — programa de intercâmbio para cuidado de crianças —, acabou sendo vítima de violência física e psicológica, além de ter tido seus documentos retidos pelo empregador.
O sonho que se tornou pesadelo
Giselle, proprietária de uma confeitaria no Ceará, buscava uma oportunidade de mudar de vida e planejava, no futuro, morar fora do Brasil com sua família. Ela conheceu o suposto empregador através de uma plataforma online que conecta famílias a interessados no serviço, sem o intermédio de agências de intercâmbio, o que deixou o processo sem a devida checagem de segurança.
Após trocar mensagens em inglês, ela aceitou a proposta para cuidar de duas crianças durante as férias da família em Martinica, com a promessa de que, posteriormente, seguiriam para o Canadá. No entanto, ao chegar ao destino, a realidade foi bem diferente: ela encontrou uma rotina sem privacidade e passou a sofrer retaliações após o homem descobrir que ela era mãe de duas filhas — fato que ela havia omitido no cadastro da plataforma.
Agressões e retenção de documentos
O conflito escalou quando o empregador se recusou a pagar a passagem de volta de Giselle após o clima se tornar insustentável. Em um momento de desespero, após ingerir uma grande quantidade de medicamentos, a cearense foi expulsa da casa. Ela relata que, ao ser retirada do local, o homem se apoderou de seu passaporte e celular, e a arrastou escada abaixo, causando-lhe uma fratura no pé.
Socorrida por vizinhas locais, Giselle foi levada a um hospital. Com o auxílio de uma voluntária brasileira ligada ao consulado, ela conseguiu registrar a denúncia na polícia de Martinica. O agressor acabou devolvendo os pertences da jovem, porém, com várias mensagens apagadas do aparelho telefônico.
Alerta para outros brasileiros
O Ministério das Relações Exteriores informou que prestou a assistência consular necessária à brasileira através do Consulado-Geral em Caiena. Após arrecadar fundos através de uma rifa e receber o apoio para a passagem de retorno emitida pelo governo brasileiro, Giselle desembarcou em solo cearense na última segunda-feira (20).
Agora em segurança, a empresária faz um alerta contundente para quem planeja buscar oportunidades no exterior: “Procure, sim, mudar de vida, mas faça isso de forma segura. Não se deslumbre com propostas que parecem boas demais para serem verdade”, aconselha. Giselle pretende ingressar com um processo judicial contra o agressor pelo episódio de violência e pelo furto dos seus documentos.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

