O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmou que as recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos impactarão US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros. A nova taxação é resultado do acúmulo de sobretaxas que, em casos específicos, atingem 37,5% sobre o valor das mercadorias exportadas.
Entenda o impacto das taxas
A alíquota de 37,5% ocorre pela combinação de uma tarifa de 25% — anunciada anteriormente pelo governo de Donald Trump — com uma nova taxa de 12,5%, oficializada nesta semana. Ao todo, 16,5% das exportações brasileiras para o mercado americano estão sujeitas a essa carga acumulada. Setores como o de máquinas e equipamentos, madeiras, calçados, móveis e confecções estão entre os mais afetados pelas restrições.
Distribuição das exportações
Embora o impacto seja expressivo, o governo brasileiro detalhou como o restante da pauta exportadora se comporta diante das novas barreiras. Atualmente, 23,1% das vendas totais para os EUA sofrem algum tipo de sobretaxa, enquanto a maior parte — 52,7%, equivalente a US$ 21,3 bilhões — segue isenta das novas medidas. Produtos estratégicos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja e celulose permanecem fora do alcance dessas novas tarifas.
O peso da lei americana
As decisões dos EUA fundamentam-se em dois dispositivos legais distintos. A “Seção 301” é utilizada por Washington para investigar e retaliar práticas comerciais que considere injustas ou discriminatórias. Foi através dela que a sobretaxa de 25% foi aplicada ao Brasil e a taxa de 12,5% foi imposta como parte de uma política global contra o trabalho forçado.
Já a “Seção 232” foca em questões de segurança nacional e é aplicada a setores inteiros, como aço e alumínio. Segundo o Mdic, os produtos que já são taxados pela Seção 232 não sofrem o acúmulo das novas tarifas da Seção 301, o que evita uma bitributação ainda mais severa sobre esses itens.
Comércio bilateral em queda
O endurecimento tarifário chega em um momento de arrefecimento nas relações comerciais entre os dois países. Após o recorde de US$ 40,4 bilhões em vendas para os EUA em 2024, o volume exportado entrou em trajetória descendente.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões, uma retração de 13% na comparação com o mesmo período do ano passado. Setores importantes, como o de petróleo bruto e produtos de aço e ferro, registraram quedas acentuadas, reduzindo a participação dos Estados Unidos como destino das vendas externas brasileiras.
Incertezas no mercado
A pasta ministerial avalia que a postura protecionista dos Estados Unidos amplia o clima de instabilidade para os exportadores brasileiros. A frequência com que as regras de acesso ao mercado americano mudam tem criado um ambiente de incerteza, dificultando o planejamento de longo prazo para as empresas nacionais que dependem da parceria com o país norte-americano.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

