O pesadelo de 15 trabalhadores maranhenses que buscavam uma oportunidade de emprego no Ceará chegou ao fim. Após serem encontrados em situação degradante em um alojamento na cidade de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, nove dos operários já retornaram aos seus lares entre a última quinta (23) e sexta-feira (24). Os outros seis ainda avaliam os próximos passos.
Condições desumanas e ameaças
O caso, que chocou pela crueldade, foi exposto pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF) após denúncias. Ao chegarem ao local, os sindicalistas encontraram os homens em um imóvel sem infraestrutura básica: faltava água encanada, móveis e até comida. Os trabalhadores, muitos na faixa dos 30 anos, dependiam de água suja para consumo e sobrevivência.
Além da fome — já que o empreiteiro responsável impunha a regra de que “só comeria quem fosse trabalhar” —, os operários relataram ameaças graves, inclusive de morte, feitas pelo encarregado da obra, o que gerou um clima de terror no grupo. “Um deles perdeu mais de 20 quilos nesse período”, relatou Nestor Bezerra, presidente do sindicato.
Acerto de contas e busca por justiça
A obra onde os homens atuavam fazia parte de um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. Após a intervenção sindical, a construtora responsável, Engeplan, garantiu o pagamento dos direitos trabalhistas, incluindo salários atrasados, férias proporcionais e participação nos lucros. Segundo o sindicato, os valores pagos variaram entre R$ 7 mil e R$ 13 mil por trabalhador.
Contudo, o sindicato não pretende encerrar o caso com o pagamento das verbas rescisórias. A intenção é judicializar a situação para buscar reparações por danos morais e maus-tratos, visando punir os responsáveis pela vulnerabilidade a que os maranhenses foram submetidos.
Investigação em curso
A Engeplan informou, por meio de nota, que terceirizou o serviço e que o alojamento foi uma escolha exclusiva da contratada, destacando que mantém protocolos rígidos de segurança em seus canteiros de obras. O nome da empresa terceirizada não foi divulgado.
A Polícia Civil de Maranguape confirmou o registro de um Boletim de Ocorrência e está apurando as circunstâncias do abandono. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho (MPT-CE) instaurou uma Notícia de Fato para investigar as irregularidades e a responsabilidade da cadeia produtiva envolvida na obra.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

