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Crise global: ajuda internacional sofre corte recorde e ameaça milhões de vidas

Brasil e Mundo Economia

O cenário de cooperação global enfrenta um momento crítico. Pela segunda vez consecutiva, o volume de ajuda humanitária enviado pelos países mais ricos para nações em desenvolvimento registrou uma queda histórica. Em 2025, os recursos destinados ao auxílio internacional sofreram uma redução de 23,1%, o maior corte já documentado, atingindo o montante de US$ 174,3 bilhões.

Um retrocesso sem precedentes

O impacto financeiro foi severo, representando uma perda de US$ 52,4 bilhões em termos reais. O estudo, conduzido pelo Brics Policy Center da PUC-Rio, aponta que o movimento não é passageiro: a tendência é de declínio contínuo, com nova queda de 6,9% projetada para 2026, o que faria o investimento retornar aos patamares de 2014.

O papel dos grandes doadores

O recuo é protagonizado por potências como França, Alemanha, Japão, Reino Unido e, principalmente, Estados Unidos. Juntos, esses países respondem por 95,7% da redução global. Os EUA, sob a gestão de Donald Trump, lideram o corte, tendo reduzido sua ajuda em 56,9%. O fenômeno reflete uma mudança de prioridades das nações ricas, que têm direcionado verbas para gastos internos em defesa e segurança energética, especialmente após o início da Guerra da Ucrânia.

Ucrânia e a distribuição de recursos

Apesar da retração global, a Ucrânia permanece como o principal destino da assistência, superando sozinha a soma destinada aos 44 países classificados pela ONU como os menos desenvolvidos do mundo. Enquanto o apoio direto a instituições como a ONU caiu 27%, o suporte ao Banco Mundial cresceu, indicando uma reconfiguração estratégica sobre quais entidades os países doadores ainda consideram relevantes.

Impacto humanitário alarmante

As consequências sociais desse desmonte são graves. Segundo estimativas da Oxfam, os cortes realizados apenas em 2025 podem estar ligados a quase 700 mil mortes evitáveis. A África Subsaariana aparece como a região mais afetada, com uma previsão de perdas bilionárias nos próximos anos. Diante da dificuldade de mobilizar o financiamento necessário para crises climáticas e sociais, o relatório conclui que a comunidade internacional precisa de um planejamento mais responsável e urgente para evitar uma catástrofe humanitária global até 2030.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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