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Sobrecarga doméstica e dependência emocional elevam risco de violência contra a mulher

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A responsabilidade excessiva pelo cuidado com o lar e a família, culturalmente imposta às mulheres, tornou-se um dos principais fatores de vulnerabilidade à violência de gênero no Brasil. No momento em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas de existência, especialistas alertam que a sobrecarga doméstica, somada às dependências financeira e psicológica, mantém muitas brasileiras presas a ciclos abusivos.

O peso do trabalho invisível

Pesquisas indicam que, enquanto homens dedicam cerca de 11,7 horas semanais a afazeres domésticos, as mulheres chegam a gastar 21,3 horas na mesma função. Para a professora e especialista em políticas de cuidado, Thamires da Silva Ribeiro, essa desigualdade retira a autonomia da mulher, dificultando sua saída de ambientes violentos. A situação é ainda mais grave para mulheres negras, que enfrentam desigualdades históricas profundas.

A armadilha da dependência

A violência não se restringe apenas ao aspecto físico. Especialistas apontam que a dependência psicológica — a crença errônea de que a mulher é incapaz de viver sem o agressor — atua como uma barreira poderosa. Mesmo mulheres com estabilidade financeira podem se sentir reféns por serem privadas da gestão de seus próprios recursos por parceiros controladores.

Legislação e o peso do patriarcado

O sistema patriarcal ainda dita que a mulher deve ser a cuidadora exclusiva, punindo socialmente aquelas que tentam romper com esse padrão. A Lei Maria da Penha surge como o principal escudo legal, mas sua eficácia depende do apoio da sociedade. Casos de feminicídio continuam a subir, com a maioria dos crimes sendo cometidos por parceiros ou ex-parceiros, reforçando que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma questão de saúde pública e direitos humanos.

Como buscar ajuda

O enfrentamento à violência exige rede de apoio. A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, oferece suporte gratuito e sigiloso 24 horas por dia. Em situações de perigo imediato, a Polícia Militar deve ser acionada através do 190. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também disponibiliza contatos de Delegacias Especializadas em todo o país para auxiliar na obtenção de medidas protetivas.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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