A Federação Única dos Petroleiros (FUP) apresentou, nesta terça-feira (11), um conjunto de 50 propostas estratégicas para o futuro do setor de óleo e gás no Brasil. O documento, elaborado em parceria com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), propõe uma guinada na atual política da Petrobras, defendendo maior ingerência estatal e uma revisão na forma como a companhia remunera seus acionistas.
Soberania e controle no pré-sal
Um dos pontos centrais da pauta é o retorno da Petrobras como operadora única em todas as áreas de exploração do pré-sal. A categoria argumenta que a mudança na legislação, ocorrida após 2016, enfraqueceu o protagonismo da estatal. A FUP quer reverter esse cenário, garantindo que o interesse público prevaleça sobre a busca por lucros imediatos, além de limitar a distribuição de dividendos a 25% do lucro líquido.
Reestatização de ativos
A proposta da FUP não poupa as privatizações recentes. O plano prevê a reestatização de refinarias cruciais, como a de Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, além de unidades na Bahia, Paraná e Amazonas. A intenção é reduzir as margens de lucro elevadas e retomar o controle sobre a distribuição de derivados, fortalecendo também a produção nacional de fertilizantes.
Transição energética sem exclusão
Sobre a transição para fontes de energia mais limpas, a categoria defende um caminho gradual. “Não pode ser uma transição de discurso vazio”, afirmou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira. O objetivo é equilibrar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade, combatendo a pobreza energética e fomentando novas frentes, como o hidrogênio verde, sem abrir mão dos empregos gerados pelo setor de combustíveis fósseis, que hoje representam uma fatia significativa do PIB nacional.
Combate à inflação dos preços
O documento também faz críticas duras ao modelo de precificação do gás natural. Os petroleiros sugerem a revogação da Lei do Novo Mercado de Gás, defendendo que os preços internos sejam baseados nos custos reais de produção no Brasil, abandonando a atual indexação ao mercado internacional, que, segundo a entidade, encarece o produto para o consumidor final.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

