Uma ferida na história da imprensa brasileira
Na próxima quarta-feira (19), completam-se 50 anos de um dos episódios mais sombrios da nossa história recente. Em 1976, a sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, foi alvo de um atentado a bomba que buscava silenciar as vozes democráticas que enfrentavam a ditadura militar. Para marcar o cinquentenário, a instituição lançou um boletim especial resgatando o trauma e a importância da liberdade de imprensa.
O dia do ataque
O artefato explodiu no sétimo andar do icônico edifício na Rua Araújo Porto Alegre. Embora a detonação tenha causado sérios danos estruturais na sala da presidência e nos arredores, não houve feridos. O ato terrorista foi reivindicado pela Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), um grupo de extrema-direita que tentava intimidar quem se opunha ao regime.
Vigilância e repressão
Documentos revelados pelo Arquivo Nacional, especialmente relatórios do Serviço Nacional de Informações (SNI), mostram que os órgãos de segurança da época tinham conhecimento detalhado sobre as atividades da ABI. O registro detalhado das movimentações da entidade revela como a vigilância política era constante durante o período da ditadura.
Memória e Democracia
O atentado à ABI não foi um fato isolado. Naquele mesmo ano, órgãos como a OAB e o Cebrap também foram alvos de ataques, revelando uma estratégia deliberada de tentar frear o processo de abertura política. A edição especial da ABI, organizada por Geraldo Cantarino, reúne fotos históricas e o contexto político daquele ano conturbado.
Ato de resistência
Para reafirmar seu compromisso com a liberdade, a ABI realizará, no dia 19, às 17h, um ato solene no local onde a bomba explodiu há cinco décadas. Na ocasião, será instalada uma placa de repúdio ao terrorismo e em defesa inabalável do Estado Democrático de Direito.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

