O poder escondido no solo
Pequenos, silenciosos e fundamentais para a vida, os fungos micorrízicos estão no centro de uma nova estratégia científica para frear a degradação das terras e combater a crise climática global. Estes organismos criam redes subterrâneas complexas que conectam as raízes das plantas, funcionando como um verdadeiro sistema circulatório do solo.
Como funciona o “banco de fungos”
Pesquisadoras da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN) estão testando um modelo inovador na Mongólia. Ao cercar áreas de pastagem, a equipe protege a biodiversidade local de fungos, permitindo que a terra se recupere naturalmente. Essas áreas funcionam como bancos genéticos, onde a infraestrutura viva subterrânea ajuda a reter nutrientes, evitar a erosão e preparar o terreno para o retorno da vegetação nativa.
Um mundo microscópico desconhecido
O potencial é imenso e ainda pouco explorado. Estudos realizados na região do deserto de Gobi revelaram que cerca de 90% das espécies de fungos encontradas são totalmente desconhecidas pela ciência. Essa biodiversidade única é essencial para a resiliência do ecossistema, sendo muito mais eficiente do que simplesmente transplantar espécies de outras regiões.
Mudança nas políticas ambientais
Atualmente, as grandes conferências climáticas focam quase inteiramente na vida acima do solo. Especialistas defendem que chegou o momento de olhar para baixo: proteger os fungos é proteger a base que sustenta a segurança alimentar e a saúde do planeta. A ideia é integrar o mapeamento dessas redes invisíveis às políticas públicas de combate à desertificação em todo o mundo, incluindo estratégias que respeitem e valorizem o conhecimento das comunidades locais.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

