Desafios nas estepes
Nas vastas estepes da Mongólia, o cotidiano de nômades como Batchuluun Maamun, de 57 anos, sempre foi ditado pelos ritmos da natureza. No entanto, os sinais que antes orientavam o pastoreio agora trazem preocupação. Secas prolongadas, verões escaldantes e invernos implacáveis — conhecidos localmente como dzud — têm dizimado rebanhos e colocado em xeque uma tradição milenar de convivência com a terra.
Um cenário de alerta
Dados da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) apontam que cerca de 76% do território mongol enfrenta processos de degradação do solo. Com mais de 58 milhões de cabeças de gado competindo por recursos cada vez mais escassos, o sobrepastoreio e o avanço da mineração pressionam um ecossistema que luta para se regenerar.
Resiliência e novas práticas
Diante da ameaça, famílias nômades estão mudando sua forma de produzir. A estratégia atual foca no descanso forçado das pastagens e na diversificação da renda, priorizando a qualidade dos produtos — como carne, leite e lã — em vez do simples aumento quantitativo do rebanho. A ideia é respeitar o limite da natureza para garantir a sobrevivência das gerações futuras.
Tecnologia e tradição
O futuro da cultura nômade na Mongólia passa pelo equilíbrio entre o saber ancestral e a inovação. O uso de painéis solares para energia e a gestão sustentável de recursos mostram que é possível modernizar a vida nas estepes sem perder a essência. Para o casal Batchuluun e Oyunchimeg Shuurai, o maior aprendizado é claro: quando o lucro é a única métrica, a terra se esgota. A sustentabilidade, portanto, é a única garantia de que as futuras gerações poderão manter viva essa história.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

