O Sertão como fonte de inspiração
Para a jornalista e escritora Calila das Mercês, a literatura tem raízes profundas na terra. Nascida entre o sertão e o recôncavo baiano, ela defende que o pensamento criativo não é exclusividade dos grandes centros urbanos. “Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano, duas geografias interioranas que compõem essa minha primeira relação com a literatura”, afirma.
Curadoria de destaque
Atualmente, Calila integra a curadoria da quarta edição do Festival Literário de Paracatu (Fliparacatu), em Minas Gerais. Ao lado de nomes como Sérgio Abranches e Afonso Borges, ela ajuda a conduzir o evento que este ano celebra o “Sertão em Nós”. O festival propõe um diálogo entre os legados de Milton Santos e João Guimarães Rosa, discutindo a identidade territorial e a pluralidade da escrita brasileira.
O desafio de descentralizar a cultura
A escritora alerta para a importância de valorizar a produção literária fora das metrópoles. Segundo Calila, o desafio é evitar que festivais se tornem espaços engessados ou palanques políticos. Ela acredita que cidades como Paracatu possuem uma identidade própria e potente, capaz de gerar reflexões profundas sem depender de interferências externas. “O pensamento não precisa, necessariamente, chegar dos grandes centros”, reforça.
‘Nódoa’: um romance feito em movimento
Além da curadoria, Calila celebra o lançamento de seu primeiro romance, “Nódoa”, publicado pela Companhia das Letras. A obra, escrita entre rodoviárias, ônibus e mudanças de casa, reflete a própria essência de movimento da autora. O livro explora as trajetórias de Regina e Lurdes Maria, utilizando recursos gráficos e o silêncio nas páginas para dar voz a diferentes realidades sociais e afetivas. Para Calila, o título da obra faz jus ao seu propósito: ser uma marca, uma lembrança permanente da ancestralidade e das histórias que nos formam.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

