O encontro entre a tradição e o futuro
O Sesi Lab, em Brasília, inaugurou uma instalação monumental que vem encantando funcionários e visitantes. Intitulada “Bordaduras”, a obra da renomada artista plástica Regina Silveira ocupa 530 metros quadrados das fachadas de vidro do museu. A peça, composta por imagens de agulhas e pontos de cruz inacabados, evoca memórias profundas, transformando o espaço tecnológico em um convite ao afeto e à história.
Memória e trabalho
Para Kaliane Martins, agente de portaria do museu, a obra foi um reencontro com suas raízes. “Aprendi a bordar com minha mãe e minha avó. Vi as agulhas e me fez recordar”, conta. Para ela, o ato de costurar sempre esteve ligado à construção da vida e ao cuidado com a família, uma ressonância que vai além da estética da instalação.
A tecnologia não substitui a criação
A exposição faz parte do 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que debate a interseção entre o humano e a máquina. Regina Silveira, aos 87 anos, defende que a Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta de expansão, mas reforça: “A invenção é própria do cérebro humano. Não é inspiração que cai do céu”. Segundo a artista, é fundamental que os jovens dominem a linguagem antes de se entregarem aos meios digitais.
O bordado como resistência
Coordenadora do evento, a professora Suzete Venturelli destaca a importância de manter a criatividade humana em evidência. Ela alerta sobre o perigo de bancos de dados enviesados e reforça que a arte deve continuar a provocar a sociedade. O evento, que segue até o dia 20 de setembro, conta com a participação de 41 artistas e uma programação rica em diálogos sobre ancestralidade e tecnologia.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

