A abstenção nas eleições brasileiras vai muito além do desinteresse político. Um novo levantamento, batizado de ‘Termômetro do Bem Viver’, revela que a raiz do problema está na saúde mental da população: a epidemia de solidão, o esgotamento mental e a dependência excessiva do mundo digital estão afastando milhões de eleitores das cabines de votação.
O peso do isolamento social
Os números são alarmantes: cerca de 30 milhões de brasileiros deixaram de votar nos últimos pleitos. O estudo aponta que o eleitor ‘desvinculado’ — aquele que perdeu o senso de comunidade — enxerga as redes sociais e a televisão como refúgios para a exaustão, mas acaba caindo em um ciclo de isolamento e desesperança. A culpa pelo tempo perdido nas telas e a sensação de que o voto não possui poder de transformação real são fatores decisivos para essa desistência.
Juventude é a mais atingida
O cenário é ainda mais preocupante entre os brasileiros de 18 a 34 anos. Este grupo representa 44% dos chamados ‘desvinculados’. Com rotinas exaustivas, como a jornada 6×1, esses jovens perdem o tempo necessário para o lazer e para a construção de laços comunitários. A pesquisa mostra que apenas dois a cada dez jovens afirmam possuir uma conexão real com sua comunidade, o que reflete diretamente na baixa participação democrática.
O caminho para o ‘Bem Viver’
Para mudar esse quadro, especialistas sugerem a adoção de políticas públicas de ‘Bem Viver’. Isso inclui desde a valorização de espaços de convivência e contato com a natureza até o combate ao design viciante das plataformas digitais. A mensagem é clara: para que o cidadão volte a acreditar na política, a democracia precisa provar que é capaz de impactar positivamente a qualidade de vida no cotidiano, transformando a rotina para além da tela do celular.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

