img 9497.jpg 16

Censo 2022: Pessoas com deficiência enfrentam maior precariedade habitacional no Brasil

Brasil e Mundo

Dados recentes do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, revelam um retrato preocupante da desigualdade social no Brasil: pessoas com deficiência (PCDs) vivem em moradias com infraestrutura inferior em comparação ao restante da população. A falta de saneamento básico, acesso restrito à internet e dificuldades de mobilidade urbana são barreiras diárias que impedem a plena inclusão desse segmento da sociedade.

Saneamento e Infraestrutura

O acesso a serviços básicos é um dos pontos críticos. Apenas 59,8% das pessoas com deficiência residem em lares com acesso à rede coletora de esgoto ou fossas, enquanto entre pessoas sem deficiência o índice chega a 63,1%. A desigualdade se repete no abastecimento de água e na coleta de resíduos, além de registrar um percentual maior de lares sem banheiro exclusivo.

Conectividade e Vida Doméstica

A exclusão digital também é evidente: enquanto 90,2% dos lares sem pessoas com deficiência possuem acesso à rede, apenas 78,9% das casas com PCDs contam com internet. Além disso, eletrodomésticos básicos, como a máquina de lavar, estão menos presentes nessas residências, evidenciando uma disparidade que impacta a qualidade de vida e o bem-estar familiar.

Desafios no Transporte

O deslocamento para o trabalho é um dos gargalos mais severos. Em média, pessoas com deficiência levam 37 minutos para chegar ao emprego, 12% a mais do que os demais trabalhadores. Além disso, essa população depende mais de transportes públicos, bicicletas e caminhadas, enfrentando cidades com pouca infraestrutura de acessibilidade.

Representação e Políticas Públicas

O cenário político também preocupa, com uma redução significativa no número de pessoas com deficiência eleitas entre 2020 e 2024. Apesar de um avanço na presença de PCDs no serviço público federal — impulsionado pelo reconhecimento de servidores com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — a gestão municipal ainda falha. Apenas uma parcela reduzida de municípios brasileiros conta com adaptações de espaços públicos ou legislações específicas para o passe livre, demonstrando que o poder público ainda precisa avançar muito para garantir direitos fundamentais de acessibilidade.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *