O Brasil reafirmou sua posição fora do Mapa da Fome, de acordo com o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI) 2026, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU). Dados referentes ao triênio 2023-2025 mostram que o país manteve a proporção de sua população subnutrida abaixo de 2,5%, patamar que define a saída definitiva dessa condição crítica.
Consolidação da segurança alimentar
Esta é a segunda vez consecutiva que o Brasil figura fora do Mapa da Fome, repetindo o feito alcançado na análise anterior (2022-2024). O desempenho atual marca uma retomada histórica, já que, no período de 2020 a 2022, cerca de 3,5% da população enfrentava a subnutrição. Especialistas estimam que, hoje, a taxa de subalimentação no país possa estar situada entre 0,6% e 0,7%, um reflexo direto de políticas públicas focadas no combate à desigualdade.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, ressaltou que esses números comprovam que a fome não é um destino inevitável. Segundo ela, a chave para o sucesso brasileiro reside na combinação de estratégias: aumento de renda, fortalecimento da oferta de alimentos frescos e incentivo à agricultura familiar, em detrimento do consumo de ultraprocessados.
Queda na insegurança alimentar severa
O relatório aponta uma trajetória consistente de melhora em diversos indicadores. A insegurança alimentar severa — condição em que o indivíduo chega a passar dias inteiros sem comer — atingiu o menor patamar da série histórica: 0,6% da população, ou 1,2 milhão de pessoas. Embora o número ainda represente um desafio humanitário significativo, a redução é expressiva.
Da mesma forma, a insegurança alimentar moderada ou grave caiu para 9,6% (20,3 milhões de pessoas) no triênio 2023-2025, um declínio importante frente aos 22,1% registrados no período de 2020 a 2022.
Acesso à dieta saudável
Outro ponto positivo é a maior facilidade do brasileiro em adquirir uma alimentação de qualidade. Em 2025, a proporção da população sem condições financeiras de manter uma dieta saudável recuou para 21,1%, retirando cerca de 20,5 milhões de brasileiros da zona de vulnerabilidade alimentar em relação ao pico de 2021.
Contudo, o custo médio dessa dieta no Brasil (US$ 4,89 diários per capita) apresentou uma leve alta em relação a 2024. Para mitigar esse impacto, a ministra Fernanda Machiaveli defende a manutenção de estoques públicos de alimentos e o apoio ao pequeno produtor como ferramentas essenciais para estabilizar preços e evitar que a inflação dos alimentos atinja as camadas mais pobres.
Desafios para o futuro
Apesar do otimismo com os indicadores de fome, o relatório aponta gargalos importantes na saúde nutricional. O Brasil ainda enfrenta taxas preocupantes de excesso de peso — que afeta 30,1% dos adultos e 10,9% das crianças menores de 5 anos — além de registrar anemia em mais de 21% das mulheres em idade fértil. O aleitamento materno exclusivo também segue abaixo dos índices desejados, atingindo apenas 45,8% dos lactentes até cinco meses.
Cenário global
No âmbito mundial, a fome também dá sinais de recuo, alcançando 645 milhões de pessoas em 2025, uma queda de 43 milhões de indivíduos desde 2022. No entanto, a FAO alerta que a recuperação é desigual. Enquanto a América Latina e a Ásia avançam, o continente africano continua sendo o epicentro da crise alimentar, com 20% de sua população ainda enfrentando a fome, agravado por um rápido crescimento demográfico.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

