O alerta do silêncio
O câncer de pulmão segue sendo um dos desafios mais severos para a saúde pública brasileira. Segundo o oncologista Igor Morbeck, do Instituto Lado a Lado pela Vida, o cenário é preocupante: entre 70% e 80% dos casos são diagnosticados apenas em estágios avançados ou quando a doença já apresenta metástase. O problema ganha contornos dramáticos no Sistema Único de Saúde (SUS), onde a falta de um programa de rastreamento eficiente retarda o início do tratamento.
Dados que preocupam
Uma análise da plataforma Data Câncer 360º sobre diagnósticos no SUS em 2023 revelou números alarmantes. De mais de 14 mil casos analisados, quase 90% dos pacientes receberam o diagnóstico em estágio 3 ou 4. Em contrapartida, apenas 10,4% conseguiram identificar a patologia em fases iniciais, onde as possibilidades de cura são significativamente maiores.
Sintomas mascarados
A natureza silenciosa da doença é o maior obstáculo. Muitas vezes, os primeiros sintomas — como tosse persistente ou leve falta de ar — são confundidos com gripes, bronquites ou asma. Essa confusão faz com que muitos pacientes busquem ajuda tardiamente, agravando o quadro clínico e limitando as opções terapêuticas.
A importância da prevenção
Especialistas reforçam que a tomografia anual é uma ferramenta poderosa, acessível pelo SUS, especialmente para fumantes e ex-tabagistas. No entanto, o diagnóstico precoce ainda esbarra na falta de políticas públicas estruturadas para o rastreio sistemático. Enquanto a conscientização cresce, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta a necessidade urgente de estratégias mais amplas para enfrentar os mais de 35 mil novos casos previstos anualmente no Brasil até 2028.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

