Cerca de 39 milhões de brasileiros, muitos deles sertanejos, agricultores familiares e povos tradicionais, vivem hoje em áreas sob risco iminente de desertificação. Embora o Brasil não possua desertos tradicionais como o Saara, o fenômeno de degradação ambiental avança silenciosamente, comprometendo a capacidade da terra de reter água e sustentar a vida.
O avanço da degradação no território
Segundo dados da Sudene, 18% do território nacional é classificado como Área Suscetível à Desertificação (ASD). Entre 2000 e 2020, o país viu a área afetada saltar de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados. O problema, que afeta severamente os estados nordestinos, já atinge também regiões de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Caatinga: O ‘cofre’ que protege o clima
A Caatinga, bioma símbolo do Nordeste, vive um momento crítico com 11% de sua área em situação de deterioração severa. No entanto, o bioma é um protagonista essencial na luta global contra o aquecimento global. Estudos mostram que a Caatinga é um reservatório estratégico de carbono, armazenando cerca de 125 toneladas por hectare, principalmente no solo. Proteger a vegetação nativa é, portanto, uma questão de sobrevivência climática.
Soluções: Convivência com o Semiárido
Para frear esse avanço, o Governo Federal lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação (PAB-Brasil 2025–2043) e o programa Recaatingar. O objetivo é restaurar 10 milhões de hectares nos próximos 20 anos, utilizando tecnologias sociais como a construção de cisternas, o manejo agrossilvipastoril e a valorização do saber popular das comunidades locais.
Brasil na COP17
O debate sobre o futuro dessas terras ganha palco internacional na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que acontece na Mongólia. Especialistas brasileiros defendem que a preservação do solo e o apoio à agricultura familiar são caminhos estratégicos para garantir que, mesmo em cenários de crise climática, o campo continue produtivo e as famílias permaneçam em suas terras com dignidade e segurança hídrica.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

