À frente do Fundo Brasil desde maio, a advogada e ativista Allyne Andrade assume o comando da fundação com a missão de redefinir o papel da filantropia no combate às desigualdades sociais no país. Com uma trajetória marcada pela defesa antirracista e pela academia, a nova diretora busca conectar o saber teórico com a luta prática das periferias e comunidades tradicionais.
Um olhar para a justiça climática
Em entrevista exclusiva, Andrade destacou que a crise climática não afeta a todos da mesma forma. Enquanto grandes potências ignoram acordos globais, são os povos tradicionais — os verdadeiros guardiões dos territórios — que sofrem os danos mais severos. O Fundo Brasil, atento a essa lacuna, criou o programa ‘Raízes’, voltado especificamente para financiar a resistência e a preservação ambiental dessas comunidades.
Como funcionam os repasses
O apoio financeiro ocorre de forma participativa. Através de editais públicos, organizações sociais submetem seus projetos, que passam pelo crivo de comitês externos de especialistas. Além do fomento estrutural, o Fundo oferece auxílio emergencial para lideranças ameaçadas em territórios em conflito e suporte rápido em desastres naturais, como o ocorrido no Rio Grande do Sul.
20 anos de impacto e o futuro
Com duas décadas de atuação, o Fundo Brasil já destinou R$ 141 milhões a 2,5 mil iniciativas. A gestão atual aposta em uma comunicação estratégica para reconectar a sociedade com valores democráticos. O objetivo é claro: fortalecer direitos humanos sob uma ótica decolonial e antirracista, respeitando as cosmovisões dos povos que mantêm o país de pé.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

