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Falha na integração de dados trava combate ao feminicídio no Brasil

Brasil e Mundo

A violência contra a mulher no Brasil revela uma face alarmante: o feminicídio muitas vezes é o desfecho de uma escalada de agressões que o Estado poderia ter contido. Especialistas apontam que a fragmentação de dados e a falta de comunicação entre órgãos públicos criam lacunas fatais, impedindo que vítimas recebam proteção antes que o pior aconteça.

Fragmentação institucional e o risco de morte

Para a promotora Silvia Chakian, do MP-SP, o problema reside na forma isolada como as instituições registram a violência. Segundo ela, ao tratar cada denúncia como um fato isolado, o Estado perde a visão clara da trajetória da vítima, ignorando os sinais de alerta de um crime em potencial. A integração total dos serviços — de delegacias a centros de saúde — é vista como a única saída para garantir a segurança real das mulheres.

O drama no interior

O cenário é ainda mais crítico fora dos grandes centros. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que mais de 70% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não possuem nenhum serviço especializado para atender mulheres vítimas de violência. Essa ausência de suporte, somada a décadas de negligência orçamentária, deixa milhares de brasileiras desamparadas em momentos de perigo extremo.

O desafio da cultura de ódio

Além da falha estrutural, o aumento da brutalidade nos crimes contra mulheres tem sido alimentado pelo crescimento de discursos misóginos na internet. Esses grupos, que cooptam jovens desde cedo através de redes sociais, promovem a desvalorização da vida feminina. Especialistas alertam que a prevenção do feminicídio não passa apenas pela segurança pública, mas por uma mudança urgente na sociedade, garantindo acesso igualitário a direitos e combatendo a desigualdade de gênero desde a base.

Subnotificação e o medo de denunciar

Apesar do alto número de medidas protetivas concedidas — mais de 621 mil em 2025 —, o descumprimento dessas ordens ainda é um entrave grave, com mais de 135 mil registros de violação. O medo de represálias, a dependência econômica e a descrença nas instituições fazem com que muitos casos de ameaça nunca cheguem ao conhecimento da polícia, perpetuando o ciclo de violência até o limite trágico do feminicídio.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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