Um projeto monumental está transformando a paisagem do continente africano. A iniciativa ‘Grande Muralha Verde’, que atravessa o Sahel entre o deserto do Saara e a savana, acaba de atingir a marca de 1,66 milhão de hectares em processo de restauração. O balanço, divulgado pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), celebra cinco anos de atuação do ‘Acelerador’ do projeto.
Impacto que vai além do verde
O sucesso da iniciativa não se limita ao reflorestamento. Os dados revelam um impacto social e econômico robusto: 4,6 milhões de empregos gerados e cerca de 46 milhões de pessoas beneficiadas diretamente. Além disso, a ação já evitou a emissão de 24 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, reforçando o papel crucial da região no combate às mudanças climáticas globais.
Desafios e o futuro da iniciativa
Apesar dos números expressivos, a jornada é complexa. O monitoramento ainda enfrenta obstáculos, com cerca de 389 projetos em curso, mas nem todos integrados a um sistema único de dados. Para sanar essa lacuna, o recém-criado Observatório da Grande Muralha Verde busca centralizar informações geoespaciais e financeiras para garantir que os US$ 19 bilhões prometidos em investimentos cheguem, de fato, a quem mais precisa.
Protagonismo feminino e energia limpa
Um dos pontos altos do relatório é o foco na transformação social. No Mali e no Chade, por exemplo, o projeto tem mudado a realidade das comunidades locais ao capacitar mulheres para gerir cooperativas agrícolas e atuar na instalação de painéis solares. Essas ações provam que a restauração da terra é também um poderoso motor para a autonomia financeira e a sustentabilidade energética.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

