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Instalação ‘O Barco’ no Sesc Pompeia traz reflexão profunda sobre o passado escravista

Brasil e Mundo

As feridas abertas pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, reconhecido pela ONU como um dos maiores crimes contra a humanidade, ganham voz e forma na exposição O Barco. A obra, da renomada artista portuguesa Grada Kilomba, está em exibição no Sesc Pompeia, em São Paulo, desde esta terça-feira (22).

Uma memória silenciada pelo mar

Durante quatro séculos, milhões de africanos foram sequestrados e submetidos ao trabalho forçado, com o Brasil sendo o principal destino dessas embarcações. A instalação de Kilomba provoca o público a imaginar o que o fundo do oceano revelaria se fosse esvaziado: uma história de violência que, muitas vezes, foi romantizada ou apagada dos monumentos históricos.

A arquitetura da dor

A obra é composta por 134 blocos de madeira queimada, dispostos em 220 metros quadrados. O design da peça desenha a silhueta de um navio negreiro, expondo a arquitetura cruel utilizada para acomodar seres humanos como se fossem mercadorias. A artista utiliza a mitologia grega e elementos botânicos para questionar quem tem o direito de ser lembrado e enterrado com honras.

Reflexão necessária

Poemas gravados em seis línguas diferentes, incluindo o iorubá e o kimbundu, convidam o espectador a refletir sobre o esquecimento e as marcas que persistem. A exposição também traça paralelos entre a história colonial e as migrações forçadas da atualidade, reafirmando que, quando o passado não é compreendido, os ciclos de barbárie tendem a se repetir.

Serviço

A exposição no Sesc Pompeia, que inclui as obras Opera to a Black Venus e Compressed Time, é gratuita e segue em cartaz até o dia 25 de outubro. Uma oportunidade imperdível de confrontar o inconsciente da nossa história.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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