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Itamar Vieira Junior encerra ‘Trilogia da Terra’ com olhar sobre o desaparecimento no Brasil

Brasil e Mundo Cultura

Uma jornada de dor e busca por justiça

Com o lançamento de Coração sem Medo, o aclamado escritor Itamar Vieira Junior coloca um ponto final na sua trilogia sobre a terra. Após o sucesso estrondoso de Torto Arado e Salvar o Fogo, o autor volta sua atenção para a realidade urbana e o drama invisível do desaparecimento de pessoas, uma ferida aberta que atinge, sobretudo, as periferias brasileiras.

A realidade por trás da ficção

A trama apresenta Rita Preta, uma operadora de caixa em Salvador que vê sua vida ser transformada pelo sumiço repentino de um de seus filhos. Embora seja uma obra de ficção, o livro ecoa dados alarmantes: o Brasil registrou mais de 43 mil desaparecimentos apenas no primeiro semestre deste ano. Para o autor, o desaparecimento é uma forma de violência que desumaniza e que, frequentemente, é tratada com superficialidade pelos meios de comunicação.

O corpo como território

Itamar explica que, nesta nova fase, a discussão sobre a terra — fio condutor de toda a sua trilogia — ganha um novo contorno. Se nos livros anteriores a terra era o solo, o sagrado e o patrimônio, em Coração sem Medo, o próprio corpo torna-se um território em disputa. “Esse corpo também é um território. Se o tiraram de Rita, é porque ainda existem vidas e espaços que não são protegidos pelo Estado”, reflete.

A arte como ferramenta de reflexão

Para o escritor, a literatura não serve para oferecer soluções mágicas ou respostas prontas, mas sim para provocar incômodos necessários. “Quem trata dos sentimentos humanos é a arte; ela tem o poder de devolver a vida e humanizar aquilo que parece desumanizado. A mudança real nasce do incômodo que a arte é capaz de gerar no leitor”, conclui.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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