Justiça autoriza saída de policial que matou quatro colegas em delegacia no Ceará
O inspetor Antônio Alves Dourado, responsável pela morte de quatro policiais civis dentro da Delegacia de Camocim, no litoral cearense, foi autorizado pela Justiça a deixar o hospital psiquiátrico onde estava internado. A decisão, proferida pela 1ª Vara da Comarca de Camocim nesta quarta-feira (29), permite que o agente siga com tratamento ambulatorial.
Tratamento e mudança de estado
De acordo com os laudos médicos que fundamentaram a decisão, Dourado apresentou uma evolução clínica significativa. Considerado inimputável devido a um diagnóstico de psicose esquizoafetiva — transtorno que compromete a percepção da realidade —, ele não necessitará mais da internação em regime fechado.
O inspetor deverá manter o acompanhamento médico, o uso rigoroso de medicamentos e o suporte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O plano de tratamento já foi articulado com os órgãos de saúde da cidade de Belém, no Pará, para onde o ex-policial pretende se mudar.
Embate jurídico
O Ministério Público do Ceará (MPCE) manifestou-se contra a liberação, argumentando que a periculosidade do acusado ainda seria latente, caso ele interrompa o uso de medicamentos. No entanto, o juízo responsável pelo caso refutou o pedido do órgão.
Na decisão, o magistrado destacou que manter a internação com base apenas na hipótese de um futuro abandono do tratamento seria ilegal. “Admitir que a mera possibilidade futura de abandono terapêutico seja suficiente para justificar a permanência da internação equivaleria, na prática, a transformar a medida excepcional em regra permanente”, afirmou o tribunal.
Relembre o crime que chocou o Ceará
O massacre ocorreu na madrugada de 14 de maio de 2023. Antônio Dourado, que estava de folga, invadiu a delegacia de Camocim e disparou contra os colegas de profissão. Três escrivães e um inspetor foram mortos no local. Após cometer o crime, o policial chegou a fugir em uma viatura, mas se entregou pouco tempo depois em um quartel da Polícia Militar.
As vítimas do trágico episódio foram os inspetores e escrivães Antônio José Rodrigues Miranda, Antônio Cláudio dos Santos, Francisco dos Santos Pereira e Gabriel de Souza Ferreira. Após a prisão, Dourado foi levado para a Penitenciária Industrial de Sobral, onde chegou a tentar agredir um detento, antes de ter sua prisão convertida em medida de segurança em um hospital de custódia em Fortaleza, em julho de 2025.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

