Milhares de mulheres ocuparam a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (26), em um ato contundente pela democracia, pelo combate ao racismo e pela promoção do bem-viver. A 12ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro reforçou a urgência de políticas públicas capazes de romper com as desigualdades estruturais que ainda marcam o país.
Por uma agenda de reparação
Realizada logo após o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, a mobilização buscou pautar o racismo como um entrave sistêmico. Clátia Vieira, coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras, defendeu que o bem-viver é um objetivo inalcançável sem medidas concretas de reparação. “Precisamos colocar o racismo como pauta estrutural da sociedade e entender sua conexão com um sistema que precariza a vida, gera desemprego e aprofunda a instabilidade econômica para a população negra”, afirmou.
Conscientização e futuro
O evento contou com a participação de diversas gerações, incluindo famílias que fizeram questão de levar crianças ao ato. Para a educadora Bárbara Carine, a presença dos pequenos é parte essencial do aprendizado político sobre identidade e direitos. “A marcha é um momento de celebrar nossas conquistas históricas, mas, acima de tudo, de projetar um futuro de bem-viver. Queremos superar as pautas de sobrevivência”, pontuou.
Memória e legado
A vereadora Marielle Franco, cujo assassinato em 2018 permanece como uma ferida aberta na política brasileira, foi novamente celebrada como um símbolo de resistência. Sua mãe, Marinete Silva, participou da caminhada e reafirmou a importância do legado deixado pela filha. “Marielle esteve na marcha em 2017 e precisava estar aqui hoje. Ela foi tombada, mas não nos permite silenciar. A participação política das mulheres é essencial e era o coração do projeto dela”, declarou.
Ancestralidade e pertencimento
A força da cultura negra esteve presente durante todo o percurso, com apresentações artísticas de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ylê de Ouro. Para muitas participantes, a ocupação do espaço público é, antes de tudo, um ato de afirmação. O casal Cinthia Garcia e Laísse Santos, que atua no afroturismo em Maricá, resumiu a experiência em uma palavra: pertencimento. “A marcha é pelo direito de existir sendo quem somos, de usar nossos turbantes e nossos elementos ancestrais com orgulho, combatendo o apagamento histórico que insiste em invisibilizar quem realmente construiu este país”, concluiu Cinthia.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

