O cerco se fecha contra Paulo Silvio dos Santos, ex-chefe da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF). Além das quatro árbitras que já haviam buscado a Justiça em julho, outras duas mulheres procuraram a Polícia Civil nesta semana para denunciar casos de assédio sexual e importunação cometidos pelo ex-dirigente.
Um padrão de comportamento
As novas denúncias revelam um histórico que ultrapassa as quatro linhas do campo. Uma das vítimas, que trabalhava em uma concessionária de motos em Fortaleza onde Paulo Silvio ocupava cargo de chefia, relatou ter sido alvo de propostas indevidas. Segundo ela, o suspeito oferecia vantagens financeiras e presentes em troca de encontros, sendo que, diante das recusas, ela passou a sofrer represálias no ambiente de trabalho.
Carreira prejudicada pelo assédio
Os relatos das árbitras seguem a mesma linha de desabuso. Denunciantes afirmaram que a recusa aos constantes convites — muitas vezes feitos em horários impróprios — resultava diretamente no afastamento delas das escalas de jogos importantes. Uma das vítimas chegou a relatar uma tentativa de abordagem física em um motel, após uma confraternização, episódio que teria sido determinante para o estancamento de sua trajetória na arbitragem.
Investigações em curso
A Polícia Civil já concluiu o inquérito referente às denúncias das quatro árbitras, indiciando Paulo Silvio pelos crimes de assédio e importunação sexual. O caso agora segue para análise do Ministério Público do Ceará (MPCE). Paralelamente, a FCF instaurou uma sindicância administrativa para apurar internamente os fatos e assegurou que o investigado permanecerá afastado de suas funções enquanto as investigações perdurarem.
A defesa de Paulo Silvio nega todas as acusações, classificando-as como versões unilaterais, e afirma que o ex-dirigente está à disposição das autoridades para provar sua inocência.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

