Um recomeço em meio às ruínas
Milhares de crianças em Gaza voltaram às salas de aula no último sábado (20), marcando um momento histórico e emocionante: o retorno ao ensino presencial após quase três anos de interrupção forçada pela guerra. Em um cenário devastado, onde 98% das escolas foram destruídas ou danificadas, o aprendizado agora acontece em tendas, prédios improvisados ou estruturas danificadas.
O drama da educação sob fogo
Cerca de 660 mil alunos foram privados de uma rotina escolar regular. A reabertura é um marco frágil, carregado de dor, após um conflito que ceifou a vida de 22 mil estudantes e mais de 770 profissionais da educação. Para muitos, a escola agora é um espaço de superação, onde o desejo de aprender vence a falta de infraestrutura básica, como ventilação, materiais escolares ou até mesmo sapatos.
Lições entre o calor e o medo
Em escolas improvisadas com lonas e chapas de metal, a rotina dos alunos é um exercício de coragem. Yamen Abu Samra, de 14 anos, relata a mudança drástica: antes a escola era um lugar de alegria, hoje é um local cercado pelo medo constante de novos ataques e pelo calor excessivo dentro das tendas. Apesar disso, o Ministério da Educação, com apoio internacional, mantém o ano letivo de 2026-2027 como uma forma de resistência.
Desafios econômicos e o custo de aprender
Além dos riscos físicos, as famílias enfrentam uma crise econômica severa. Com restrições de importação que elevaram os preços dos materiais escolares a valores proibitivos, o simples ato de ter um caderno tornou-se um privilégio. Mesmo assim, o sentimento de esperança persiste. Como resume a estudante Samar Abu Salmi: ‘Estamos de volta, perseguindo nosso sonho, de uma barraca para outra’. O ensino a distância segue como alternativa para aqueles que não conseguem chegar aos locais improvisados, mantendo viva a chama da educação em um território marcado pelo conflito.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

