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Tráfico de animais silvestres no Ceará troca feiras livres pela discrição das redes sociais

Ceará Polícia

O tráfico de animais silvestres no Ceará está passando por uma mudança estratégica. Deixando para trás a exposição arriscada das feiras livres, criminosos migraram para o ambiente virtual, utilizando grupos de WhatsApp, Telegram e Facebook para comercializar espécies nativas e exóticas. A transição, observada pelo Ibama ao longo dos últimos sete anos, busca escapar da fiscalização e aproximar vendedores de compradores sem a necessidade de contato presencial.

A nova face do crime digital

Segundo Saulo Gouveia, coordenador operacional do Ibama, o ambiente virtual oferece a sensação de segurança que os traficantes buscavam. Em grupos fechados ou via mensagens privadas, perfis anônimos negociam desde aves da fauna cearense até animais em risco de extinção, como a jandaia. O esquema é tão sofisticado que utiliza, inclusive, a ‘Dark Web’ para evitar o rastreamento das autoridades.

Um mercado que movimenta milhões

As investigações apontam que o tráfico de animais está intrinsecamente ligado a outras práticas criminosas, como associação criminosa, maus-tratos e falsificação de documentos. Delegado titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, Wilson Camelo alerta: o comprador também comete crime ao adquirir um animal silvestre. Além da punição legal, muitos compradores são enganados com notas fiscais falsas, acreditando que estão adquirindo animais legalizados.

Impacto na biodiversidade e a ‘petificação’

A romantização de animais silvestres como ‘pets’ nas redes sociais — a chamada ‘petificação’ — tem impulsionado a demanda, inclusive por espécies exóticas como cobras e macacos. Para a Associação Caatinga, o impacto ambiental é devastador. A retirada de animais da natureza prejudica processos vitais como a polinização e a dispersão de sementes, desequilibrando um ecossistema já fragilizado pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento.

Como combater o ‘algoritmo selvagem’

Especialistas alertam que o consumo de conteúdos que mostram animais silvestres como animais de estimação alimenta o tráfico. Campanhas como a ‘Algoritmo Selvagem’ incentivam os usuários a não interagir com esse tipo de postagem, visando reduzir o alcance dessas publicações criminosas. As autoridades reforçam que, no Ceará, o combate continua intenso, unindo inteligência policial, fiscalização ambiental e operações conjuntas, como a Fauna Livre, para desarticular as redes que insistem em lucrar à custa do sofrimento da nossa fauna.


Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução

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