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Mais de 50% das mulheres dizem ter sofrido violência de parceiros

Brasil e Mundo

Uma pesquisa recente revela um cenário alarmante sobre a realidade das relações interpessoais no Brasil: 54% das mulheres que já se envolveram com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência. Em contrapartida, o índice de homens que admitem ter praticado agressões contra parceiras ou ex-parceiras é de apenas 11%, apontando uma clara discrepância entre a vivência das vítimas e o reconhecimento por parte dos agressores.

O retrato da violência doméstica

Os dados compõem a pesquisa 20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva. O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas em todo o país e expõe que, apesar de duas décadas de vigência da lei, a violência contra a mulher permanece em níveis críticos.

Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, alerta para o aumento expressivo das demandas de socorro. Em 2025, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) ultrapassou a marca de 1 milhão de atendimentos — um salto de 45% em relação ao ano anterior — com 155 mil denúncias formais registradas.

Barreiras no combate à impunidade

Para as brasileiras, os principais obstáculos para denunciar são a persistente sensação de impunidade (56%) e a lentidão do Poder Judiciário (39%). O estudo aponta ainda que 77% das entrevistadas acreditam que os homens possuem dificuldade em identificar certas atitudes como agressivas, enquanto 82% percebem uma omissão masculina diante de comportamentos violentos de outros homens.

A violência psicológica lidera o ranking dos relatos, atingindo 42% das mulheres, seguida pela violência física, com 25%. Quando o assunto é o enfrentamento direto, as mulheres preferem acionar autoridades e delegacias especializadas, que são reconhecidas por três em cada quatro brasileiras como o principal canal de proteção.

A Lei Maria da Penha e o desafio da eficácia

Embora a Lei Maria da Penha seja um marco amplamente conhecido por praticamente toda a população, a percepção de que o aparato legal é insuficiente é majoritária: 82% das mulheres acreditam que a legislação, sozinha, não consegue conter o problema. Apenas 49% afirmam conhecer profundamente o texto legal.

Embora a maioria (81%) reconheça que, antes da lei, o acolhimento às vítimas era precário e as punições eram brandas, a falta de conhecimento sobre modalidades específicas de agressão ainda é um entrave. Enquanto 88% sabem que a violência física é crime, menos da metade conhece as proteções específicas contra a violência patrimonial.

Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, reforça que a naturalização de comportamentos de controle e vigilância é um ponto crítico. “Isso é extremamente preocupante, especialmente porque a violência psicológica é a forma de agressão que as mulheres mais enfrentam em seus relacionamentos”, conclui a especialista.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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