Cultura de omissão e negligência
A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre a queda do voo da Voepass, ocorrida em agosto de 2024, em Vinhedo (SP). Ao todo, 16 pessoas foram indiciadas, incluindo o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho. O acidente, que não deixou sobreviventes entre os 62 ocupantes, foi classificado pelas autoridades como fruto de uma cultura interna de omissão e negligência deliberada.
Falhas técnicas e descaso operacional
Segundo a investigação, a aeronave não possuía condições técnicas de voo para enfrentar a formação de gelo severo registrada no dia. Equipamentos cruciais, como o sistema de degelo e o limpador de para-brisas, estavam inoperantes. Mesmo ciente das limitações, a direção autorizou a decolagem. Relatos apontam que a empresa orientava pilotos a não registrarem falhas nos relatórios pós-voo para evitar que os aviões fossem retirados de operação, priorizando a continuidade dos serviços em detrimento da segurança dos passageiros.
Justiça e próximos passos
Os indiciados respondem, majoritariamente, pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, com penas que, agravadas pelo resultado morte, podem chegar a 24 anos de prisão. Todos tiveram seus passaportes retidos ou a proibição de deixar o país decretada. A Polícia Federal solicitou ainda o compartilhamento dos dados com a Anac para verificar se houve falha na fiscalização por parte dos servidores da agência. Enquanto o Ministério Público Federal analisa o inquérito para oferecer denúncia, as famílias das vítimas articulam uma ação coletiva por danos morais, clamando por justiça diante do que classificaram como uma operação criminosa da companhia aérea.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

