A criação de um regime global robusto para o enfrentamento às secas sofre um novo revés na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que acontece em Ulaanbaatar, na Mongólia. Apesar da expectativa internacional, negociadores apontam que um consenso para o combate definitivo ao problema não deve ser alcançado nesta edição.
Impasses e resistência
A resistência à criação de um acordo vinculante é encabeçada por países como Estados Unidos e União Europeia, com adesão de nações sul-americanas, incluindo a Argentina, o Chile e o Paraguai. Enquanto os países africanos, historicamente castigados pela desertificação, exigem um mecanismo multilateral e financiamento efetivo, as potências globais defendem modelos de adesão voluntária para evitar compromissos financeiros obrigatórios.
Mudança de paradigma
Especialistas alertam que a visão da seca como um desastre imprevisível já está ultrapassada. O fenômeno é agora um risco sistêmico, que impacta desde o comércio global e hidrovias até a segurança alimentar mundial. A recomendação da UNCCD é que as nações migrem da gestão de crises para a gestão preventiva de riscos, dado que a frequência e intensidade desses eventos aumentaram quase 30% desde o ano 2000.
Iniciativas paralelas
Embora o acordo global enfrente entraves geopolíticos, avanços ocorrem em frentes paralelas. A Aliança de Riad e o novo Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif) buscam atrair bilhões em capital público e privado para auxiliar países em desenvolvimento. Além disso, foi lançada a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca, uma plataforma tecnológica que utiliza inteligência artificial para mapear vulnerabilidades e subsidiar políticas públicas mais eficazes ao redor do planeta.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

