A pouco menos de um mês para o primeiro turno das Eleições 2026, o cenário político brasileiro vive um momento de tensão que vai muito além das urnas. Uma escalada na crise institucional, envolvendo embates diretos entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras esferas de poder, tomou conta do noticiário e das redes sociais, deixando em segundo plano temas essenciais para o futuro do país.
O debate que não acontece
Entidades de classe e movimentos sociais alertam para o esvaziamento das propostas concretas. Para Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a atenção concentrada no Judiciário prejudica a qualidade do debate eleitoral, impedindo que o eleitor conheça a fundo os planos de governo.
Ciência e economia em segundo plano
A preocupação também atinge a comunidade científica. Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), aponta uma lacuna perigosa: a falta de discussão sobre ciência, orçamento e desenvolvimento estratégico. “É como se o país fosse forçado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o seu próprio futuro econômico, quando ambos são indissociáveis”, afirma.
Direitos trabalhistas e mudanças climáticas
Enquanto os holofotes se voltam para a crise, pautas como o fim da escala de trabalho 6×1, a geração de empregos e a regulação do setor público perdem tração. Rita Serrano, do Diap, ressalta que o avanço dessas pautas no Congresso foi atropelado pela instabilidade política.
Paralelamente, a crise climática — uma urgência após as tragédias ambientais recentes — segue ignorada por grande parte dos candidatos. Márcio Astrini, do Observatório do Clima, critica duramente a postura de postulantes que ainda negam a gravidade das mudanças climáticas, mesmo com os impactos visíveis no orçamento público e na vida das pessoas.
A estratégia dos povos indígenas
O cenário incerto também impulsionou uma resposta organizada dos povos indígenas. Com a sensação de que suas pautas, como a demarcação de terras e a exploração de minerais críticos, não encontram eco entre a maioria dos candidatos, a Apib lançou 56 nomes próprios para as eleições. Para Alcebias Constantino, representante da entidade, a estratégia é clara: ocupar os espaços de poder para garantir a sobrevivência e os direitos das comunidades, independentemente das crises que se alternam em Brasília.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

