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Mobilidade urbana: medo e falta de transporte fazem 40% das mulheres desistirem de empregos

Brasil e Mundo

Barreiras que travam o crescimento feminino

No Brasil, a desigualdade de acesso ao direito de ir e vir tem cobrado um preço alto das mulheres. Dados alarmantes revelam que 40% das brasileiras já abriram mão de oportunidades de trabalho ou promoções profissionais devido à precariedade no deslocamento. O problema é multifacetado, envolvendo insegurança, custos elevados, tempo excessivo de trajeto e a exclusão territorial.

O peso da insegurança

A pesquisa ‘O Direito de Ir, Vir e Viver’ aponta que a sensação de perigo é o principal entrave: 32% das entrevistadas apontam a violência como o maior impedimento. O cenário de medo transforma a rotina feminina, forçando 87% das mulheres a evitarem certos bairros e 73% a cronometrarem cada minuto do trajeto para tentar se proteger. O assédio sexual também é uma realidade cruel, relatado por 89% das participantes em diversos meios de transporte.

Impacto na educação e no bem-estar

O impacto não se limita ao mercado de trabalho. A dificuldade de locomoção afasta mulheres das salas de aula e de cursos de capacitação — 21% já desistiram de estudar por falta de transporte adequado. Além disso, a vida social é severamente prejudicada: 80% das mulheres deixaram de comparecer a eventos e mais de 30% abriram mão de atividades físicas ou de convívio com amigos e familiares por não se sentirem seguras para circular.

O desafio da dupla jornada

A mobilidade feminina é ainda mais complexa pelo papel histórico de cuidadora. Com 54% das mulheres assumindo sozinhas responsabilidades como levar filhos à escola ou levar dependentes ao médico, o trajeto nunca é apenas uma linha reta entre casa e trabalho. Essa sobrecarga faz com que muitas dependam de carros por aplicativo, mesmo que isso comprometa o orçamento familiar, já que o transporte público convencional é avaliado como ruim ou péssimo por um terço das usuárias.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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