A tributação sobre lucros e dividendos, peça-chave do governo para equilibrar as contas após a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ainda patina em 2026. Entre janeiro e julho, o governo arrecadou R$ 3,145 bilhões, o que representa apenas 18,3% da meta revisada de R$ 17,2 bilhões para todo o ano.
Um cenário de crescimento gradual
Embora o acumulado esteja aquém das expectativas iniciais — que chegaram a prever R$ 28 bilhões em arrecadação —, os dados mensais da Receita Federal mostram uma curva ascendente. O valor saltou de tímidos R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 906,65 milhões em julho, registrando o melhor desempenho mensal desde o início da vigência da nova lei.
Por que a arrecadação oscila?
O governo defende que a distribuição de lucros pelas empresas não obedece a um calendário fixo, sendo uma decisão voluntária dos conselhos e sócios. Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita, ressalta que não há fundamentos técnicos para cravar um fracasso na meta, já que as projeções são reavaliadas a cada dois meses.
Entenda a regra
Em vigor desde janeiro de 2026, a tributação incide sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais, com alíquota de 10%. A mesma taxa é aplicada sobre valores remetidos ao exterior. O mecanismo busca compensar a perda de receita gerada pelo novo teto de isenção do IRPF. O próximo balanço oficial, que indicará se o governo precisará ajustar novamente suas expectativas, será divulgado no Relatório Bimestral de setembro.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

