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Boom das bikes elétricas: mobilidade urbana em xeque e o desafio de novas regras

Brasil e Mundo

As bicicletas elétricas, ciclomotores e autopropelidos deixaram de ser novidade para se tornar uma febre nas ruas brasileiras. Em apenas oito anos, a frota nacional saltou de 7,6 mil unidades, em 2016, para impressionantes 284 mil em 2024. O crescimento acelerado, de 37 vezes, coloca em evidência um debate urgente: como integrar esses veículos ao cotidiano das cidades sem abrir mão da segurança?

Crescimento rápido e conflitos no trânsito

Embora funcionem como uma alternativa eficiente para trajetos curtos, evitando o trânsito pesado dos grandes centros, a popularização desses veículos trouxe desafios. Luiz Saldanha, diretor da Aliança Bike, aponta que o aumento no uso ocorreu de forma espontânea, gerando conflitos de convivência entre ciclistas, pedestres e veículos automotores. O grande dilema agora é como organizar esse fluxo e garantir que a micromobilidade seja, de fato, segura para todos.

A fragilidade da segurança viária

A preocupação não é apenas teórica. Tragédias recentes, como a morte do pequeno Chico, de 9 anos, no Rio de Janeiro, evidenciam os riscos fatais dessa ocupação desordenada das vias. O caso reforça o alerta de especialistas sobre a necessidade de maior responsabilidade na condução e fiscalização rigorosa.

O que diz a lei e as falhas apontadas

Atualmente, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) divide esses veículos em três categorias: bicicletas elétricas (pedal assistido), autopropelidos (sem necessidade de força humana, até 32 km/h) e ciclomotores (até 50 km/h). Enquanto as duas primeiras não exigem habilitação ou emplacamento, os ciclomotores demandam carteira de motorista (ACC ou categoria A). Especialistas, como Raphael Pazos, criticam a flexibilização das normas, argumentando que a facilidade de acesso a equipamentos potentes por menores de idade pode elevar perigosamente os índices de acidentes.

Cidades sob adaptação

Para Marcus Quintella, professor da FGV, o problema central é que o planejamento urbano das cidades brasileiras não acompanhou essa evolução tecnológica. O desafio dos gestores públicos é equilibrar o incentivo à micromobilidade — que é sustentável e funcional — com uma regulamentação que impeça o caos, garantindo que o progresso sobre duas rodas não custe vidas nas vias públicas.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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