A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito que investigava denúncias de crimes sexuais envolvendo o chefe de arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos. O dirigente foi indiciado pelos crimes de assédio sexual e importunação sexual após relatos de árbitras que atuam no estado.
Denúncias de abuso e perseguição profissional
O caso ganhou repercussão em julho deste ano, quando quatro árbitras registraram boletins de ocorrência. Os relatos apontam que o comportamento inadequado de Paulo Silvio ocorria desde 2018, afetando tanto o início da carreira das profissionais quanto o período de formação. As denunciantes afirmam que, ao recusarem os avanços do diretor — que detinha o poder de definir as escalas de arbitragem —, acabavam sofrendo retaliações e sendo “escanteadas” das competições.
Uma das vítimas relatou ter sido alvo de insistentes convites para encontros noturnos na residência do gestor. Outra árbitra denunciou um episódio ocorrido em um estabelecimento, onde teria sofrido uma tentativa de abuso físico contra a sua vontade. Embora uma das denúncias incluísse a acusação de tentativa de estupro, a Polícia Civil não procedeu ao indiciamento por este crime específico, focando nos casos de assédio e importunação sexual.
O que acontece agora?
Com a conclusão do inquérito, o processo foi encaminhado ao Poder Judiciário. Agora, cabe ao Ministério Público do Ceará (MPCE) analisar os elementos coletados pela polícia. O órgão pode oferecer denúncia formal contra o investigado; caso a Justiça aceite, Paulo Silvio passará a ser réu em um processo criminal.
Posição da FCF e defesa do investigado
A Federação Cearense de Futebol informou que abriu uma sindicância administrativa, conduzida por uma comissão especial, para apurar a conduta do diretor. Embora a licença inicial de 30 dias tenha expirado, a entidade garantiu que o investigado não retornará às suas funções enquanto as investigações estiverem em curso. Entre as medidas tomadas pela FCF, destaca-se a proibição de qualquer contato de Paulo Silvio com as denunciantes e testemunhas.
Em nota, a defesa de Paulo Silvio negou veementemente todas as acusações, classificando os relatos como “versões unilaterais”. Os advogados reforçaram que o dirigente confia na imparcialidade da Justiça, defende a presunção de inocência e afirma que prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
Edição: Portal Itarema Direto.
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