O cinema brasileiro despediu-se, nesta quinta-feira (23), de uma de suas figuras mais emblemáticas: o produtor, cineasta e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, carinhosamente conhecido como “Barretão”. Nascido em Sobral, no Ceará, e radicado no Rio de Janeiro, ele deixou um legado inestimável, sendo um dos pilares na construção e consolidação da identidade audiovisual do Brasil.
Uma trajetória de olhar atento ao Brasil
Mais do que um técnico, Barretão usou sua sensibilidade de fotógrafo para decifrar as contradições e a cultura brasileira. Seus filmes não apenas marcaram gerações, mas levaram o nome do Brasil aos palcos mais prestigiados do mundo, incluindo o Festival de Cannes e diversas indicações ao Oscar. Colegas e parceiros de profissão foram unânimes em apontar que Luiz Carlos Barreto foi o responsável por transformar o cinema em uma ferramenta essencial para a reflexão sobre a própria nação.
Família e cinema: um compromisso de vida
O velório, realizado no Palácio da Cidade, em Botafogo (RJ), reuniu nomes importantes do cenário artístico. A trajetória de Barretão sempre esteve intrinsecamente ligada à família. Ao lado de sua esposa, a produtora Lucy Barreto, formou uma parceria que definiu os rumos do setor, enquanto seus filhos seguiram seus passos nas artes. Para ele, o conceito de família transcendia o sangue: cineastas, técnicos e atores integravam seu círculo íntimo, formando uma grande rede de convivência forjada nos sets de filmagem.
O legado por trás da taça
Durante a cerimônia, seu filho, o diretor Bruno Barreto, compartilhou uma revelação curiosa: o icônico gesto de erguer a taça nas celebrações esportivas nasceu de uma sugestão do pai. Na Copa de 1958, quando Barretão atuava como fotógrafo da revista O Cruzeiro, ele pediu ao capitão Bellini que levantasse o troféu para que os fotógrafos pudessem registrá-lo melhor. O gesto tornou-se um padrão global, eternizando uma das marcas do cineasta na cultura popular.
Reconhecimento institucional e profissional
Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), destacou que Barretão foi um intelectual que nunca se desconectou do projeto de construir um Brasil melhor. “É um brasileiro que precisa estar na prateleira de cima da nossa história”, afirmou. Profissionais como André Saddy e Marco Altberg também lembraram o empenho do cineasta em projetos estratégicos, como a criação do Canal Brasil, concretizando o sonho de um espaço dedicado exclusivamente à produção nacional.
A cineasta Anne Pinheiro Guimarães, que iniciou sua carreira pelas mãos de Barretão, resumiu o sentimento de muitos ao defini-lo como seu “pai no cinema”. Para ela, o bastão deixado por Barreto deve ser carregado com o mesmo fervor por aqueles que ainda acreditam que o Brasil precisa ser visto e compreendido através de suas próprias telas.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

