Bloqueio diplomático causa polêmica
A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) vive um momento de tensão diplomática. Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais denunciaram o posicionamento dos Estados Unidos, que têm atuado sistematicamente para impedir a inclusão de pautas sociais fundamentais na agenda de negociações do evento.
A exclusão das pautas de gênero
Um dos pontos mais críticos é a resistência americana em debater temas de gênero. Beth Roberts, articuladora de gênero da sociedade civil, revelou que o governo dos EUA exigiu a remoção do termo de qualquer documento oficial, classificando o assunto como inegociável. Segundo ativistas, essa postura reflete um viés ideológico que ignora estruturas globais de desigualdade.
O peso do consenso e o desafio à soberania
O funcionamento da COP17, que exige consenso para a aprovação de qualquer medida, tem sido utilizado pelos EUA como ferramenta de bloqueio. Jennifer Tauli Corpuz, líder indígena das Filipinas, criticou a interpretação do termo: “Consenso não é bloqueio. A objeção de uma pessoa não deve sacrificar o bem de todos”. A crítica ressoa entre ativistas que cobram medidas urgentes contra a seca e a fome, ignorando as barreiras políticas.
Brasil e UE em defesa da sociedade civil
Em um movimento de resistência, Brasil e União Europeia têm se posicionado contra a exclusão, defendendo que a sociedade civil tenha participação plena nas decisões. O ministro brasileiro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reforçou que o país seguirá pressionando para que as negociações incluam aqueles que são, na prática, os mais impactados pelas mudanças climáticas e pela desertificação.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

