1057811 ebc 07.12.2016 2948 07.12.16

Crédito rural financiou R$ 92,4 bi em áreas com alertas ambientais

Brasil e Mundo Economia

Um levantamento inédito do Monitor do Crédito Rural, divulgado pelo MapBiomas, revelou que 15% de todo o crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a imóveis com alertas de desmatamento ou degradação ambiental. Ao todo, foram 831 mil operações de financiamento que somaram R$ 92,4 bilhões.

Concentração do financiamento

O mercado de crédito rural no Brasil é operado por mais de 400 instituições, mas a maior parte dos recursos está concentrada em apenas cinco bancos: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul, que juntos respondem por 60% do montante total. No período analisado, o volume total de crédito rural público atingiu R$ 613,18 bilhões.

Em termos de volume financeiro, o Banco do Brasil lidera o ranking, tendo financiado R$ 306 bilhões. Já o Banco do Nordeste destaca-se pela quantidade de contratos, respondendo por 56% das operações realizadas no período. Quando o recorte são as áreas com sobreposição socioambiental — como terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação —, o Banco do Nordeste responde por 63% dos contratos, enquanto o Banco do Brasil detém 33% do valor financeiro nessas áreas.

O perfil das operações

O estudo aponta que 68% dos recursos foram voltados para investimentos, com forte predominância do setor pecuário, que absorveu 58% das verbas. A aquisição de bovinos liderou as finalidades, presente em 27% das operações. O estado do Piauí registrou o maior número de contratos em áreas com sobreposição socioambiental, enquanto o Tocantins liderou em volume de recursos, seguido por Mato Grosso e Rondônia.

Legalidade e fiscalização

É importante ressaltar que um alerta de desmatamento detectado via satélite não configura, automaticamente, uma irregularidade. O Código Florestal prevê situações em que o desmatamento é permitido, desde que o produtor possua a devida Autorização de Supressão de Vegetação (ASV). O crédito é estritamente proibido apenas em áreas que já possuem embargos formais decretados por órgãos como o Ibama.

Embora novas normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) exijam que bancos cruzem dados de satélite para bloquear financiamentos preventivamente, a implementação dessas regras foi adiada para janeiro de 2027.

Posicionamento dos bancos

Procurado, o Banco do Brasil afirmou que sua política veda financiamentos em áreas protegidas ou com desmatamento ilegal e que utiliza 33 bases de dados públicas para realizar o monitoramento constante de suas operações. A instituição destacou que, em 2025, barrou R$ 31,6 bilhões que não atendiam aos critérios de sustentabilidade socioambiental.

O Banco do Nordeste também defendeu a regularidade de sua atuação, reforçando que segue integralmente a legislação vigente. O banco esclareceu que o uso de ferramentas de sensoriamento remoto garante robustez à análise e que, em casos específicos, operações em áreas protegidas podem envolver comunidades tradicionais, indígenas ou extrativistas autorizadas legalmente a explorar a terra.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *